domingo, 25 de abril de 2010

Depois da casa arrombada

Vereadores dizem que vão investigar estrago de R$ 400 milhões feito por Lindberg na previdência dos servidores de Nova Iguaçu

Depois da afirmação pública de que o Instituto de Previdência do Município de Nova Iguaçu (Previni), só tem recursos para garantir os proventos de abril e maio dos funcionários aposentados e pensionistas e que o rombo deixado pelo prefeito Lindberg Farias (PT) é de R$ 400 milhões, a Câmara de Vereadores deverá por em votação, ainda nessa semana”, a formação de uma comissão de inquérito para investigar as responsabilidades. Os vereadores sabatinaram o novo presidente do órgão, José Camilo Brás, que substitui Gustavo Falcão, o último gestor do Previni no governo de Lindberg.

Camilo, que foi o primeiro presidente do instituto e o último antes da posse de Lindberg Farias na Prefeitura, saiu do cargo no dia 31 de dezembro de 2004, deixando um saldo de R$ 78 milhões em caixa, dinheiro que ninguém sabe dizer onde foi parar. Brás foi substituído por Francisco José de Souza, o Chico Paraíba, que acumulava a função de presidente do Previni com o cargo de secretário de Finanças. Chico é réu em processos com Lindberg e é está sendo investigado, juntamente com o ex-prefeito, pelas acusações de desvio de verba, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, concussão (extorsão praticada por servidor público) e corrupção ativa.

Camilo esclareceu que a folha de pagamento dos aposentados e pensionistas é de R$ 3,28 milhões, o que somando as demais despesas gera um gasto de cerca de R$ 4,5 milhões. Como o instituto tem em caixa apenas R$ 9 milhões, o Previni só terá como honrar seus compromissos de abril e maio. Ainda de acordo com o novo presidente do instituto, os descontos dos ativos repassados ao Previni é de R$ 2,5 milhões por mês, mas nos últimos cinco anos e três meses o prefeito Lindberg Farias não vinha repassando o dinheiro regularmente, obrigando o Previni e usar as reservas para cobrir os gastos do órgão.

Com a cumplicidade da Câmara

De acordo com um conselheiro do órgão, a situação financeira do Previni começou a ficar ruim longo nos primeiros meses da gestão de Lindberg e em agosto de 2005 o instituto já não tinha mais dinheiro em caixa. A situação, lembra o conselheiro, ficou pior quando a Câmara de Vereadores aprovou um projeto de lei autorizando o prefeito a usar R$ 143 milhões de créditos do instituto.

“Fizeram uma sangria nos cofres da previdência dos servidores municipais e os vereadores foram cúmplices na medida em quer permitiram isso. A Câmara, nos últimos cinco anos, nunca fez nada para fiscalizar o Previni. Não tenho dúvida de que se os vereadores quisessem poderiam ter impedido que as coisas chegassem a esse ponto”, afirmou o conselheiro.

Durante a sessão em que José Camilo foi sabatinado pelos vereadores, o presidente da Câmara, Marcos Fernandes, revelou estar preocupado com a situação do instituto, mas ele e os vereadores Alexandre José Adriano, o Xandrinho, Celso Florêncio, Claudio Ciani, Fernando Baiano, Fausto Azevedo, José Mineiro, Carlinhos Presidente, Daniel da Padaria, Marcos Rocha, Marivaldo Amorim, Rosangela Gomes, Nagi Almawy, Carlos Ferreira e Fernando Cid votaram pela aprovação do projeto de lei que autorizou Lindberg a usar o dinheiro do Previni.

Ninguém acredita numa investigação isenta

Para o vereador Thiago Portela, o rombo precisa ser investigado pela Câmara. É dele a sugestão para a formação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) e para que o ex-prefeito Lindberg Farias seja convocado para depor. Ao contrário de Portela, com a nítida intenção de proteger o ex-prefeito, o vereador Carlos Ferreira quer que os presidentes que comandaram o instituto na gestão de Farias compareçam para se explicarem. A prefeita Sheila Gama, que prometeu fazer uma gestão de continuidade, vem se mantendo em silêncio. Não tem dado entrevistas e nem permitido que seus secretários falem.

Na Câmara de Vereadores ninguém pode alegar surpresa com as declarações feitas pelo novo presidente do Previni. “Se alguém se disser surpreso aqui estará mentido. Lindberg sempre fez o que quis e nunca prestou contas de nada porque os membros dessa Casa permitiam. Não acredito que nenhuma investigação que parta do Legislativo iguaçuano chegue a uma conclusão contra Lindberg, pois ele tem e sempre teve o apoio cego da maioria dos membros dessa Casa. Essa, infelizmente, é a verdade. Se depender da Câmara Municipal de Nova Iguaçu ninguém será responsabilizado nesse caso”, afirmou um vereador.


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