domingo, 5 de setembro de 2010

Ele precisa ser senador

Depois de arrombar Nova Iguaçu, Lindberg busca um mandato para garantir foro privilegiado

“Sou Lindberg e quero ser a sua voz em Brasília”. É assim que o ex-prefeito de Nova Iguaçu, Luiz Lindberg Farias Filho vem se apresentando aos eleitores fluminenses na tentativa de eleger-se senador pelo PT.

Terceiro colocado nas pesquisas de intenção de votos, reeleito em 2008, Farias deixou a Prefeitura de Nova Iguaçu no dia 31 de março e entrou para a história como o prefeito mais processado. Sãos mais de 600 ações judiciais e procedimentos investigativos no Ministério Público Estadual e na Procuradoria da República, onde é acusado de várias irregularidades.

Há processos por improbidade administrativa, corrupção e formação de quadrilha, o que pode levá-lo a encerrar sua meteórica carreira política caso não consiga o mandato de senador. Mas não é só isso: Lindberg é apontado como o prefeito que enganou uma cidade inteira, esburacando ruas e avenidas para iniciar obras que, segundo alguns de seus ex-auxiliares na Prefeitura, sabia que não teria como concluir. O resultado é um rastro de destruição física e financeira. Nova Iguaçu está literalmente no buraco.

De acordo com estimativas da própria Prefeitura, 80% das obras iniciadas por ele não foram concluídas. Estão paradas por falta de dinheiro e das poucas que ele terminou mais da metade não foi paga ainda. Tem dias que os corredores da Prefeitura estão cheio de empreiteiros, prestadores de serviços e fornecedores, representantes de empresas buscando uma solução para o calote dado pelo ex-prefeito.

“A dívida é volumosa. Pode chegar a R$ 1 bilhão, incluindo os débitos das secretarias de Saúde, Educação e o rombo de R$ 460 milhões dado na previdência dos servidores”, revela uma fonte ligada ao governo municipal.

Das dívidas, a única tornada oficialmente pública até agora pela prefeita Sheila Gama é o rombo do Previni, que será coberto pelo contribuinte. A prefeita assinou três termos de acordo como o Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Nova Iguaçu (Previni), no total de R$ 460.390.666,78, que vai ser pago em 240 parcelas. Os extratos, que foram publicados na edição de 18 de agosto do Diário Oficial, mostram que em dois acordos o prazo para pagamento é de cinco anos. No terceiro, a dívida de maior volume será quitada em 20 anos, o que compromete, além dos dois anos de gestão que Sheila Gama tem pela frente, outras cinco futuras administrações, tamanho é o estrago feito por Lindberg durante nos cinco anos e três meses em que foi prefeito.


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