segunda-feira, 12 de julho de 2010

Hospital da Posse e postos médicos de Nova Iguaçu podem parar de funcionar por falta de recursos

Se os controladores do Fundo Municipal de Saúde não liberarem medicamentos e materiais básicos de consumo, as unidades médicas controladas pela Prefeitura de Nova Iguaçu, inclusive o Hospital Geral Dr. Mário Guimarães, o Hospital da Posse, poderão interromper o atendimento.

A informação é de funcionários concursados, que estão revoltados com o modo com que o setor vem sendo tratado pelo secretário municipal de Saúde, Josemar Freire dos Santos e pelo presidente do fundo, Reinaldo, cujo nome completo a assessoria de imprensa do governo se nega a informar. Segundo um chefe de setor do Hospital da Posse, na semana passada acabou o algodão e a informação do almoxarifado era de que poderiam ser liberados apenas cinco quilos, quantidade insuficiente para um dia de trabalho.

“O que já era muito ruim está ficando pior. Não temos a mínima condição de trabalho. Se continuar assim teremos de voltar ao tempo das improvisações, porque a Secretaria de Saúde não está facilitando em nada as coisas para os profissionais que aqui trabalham”, diz uma enfermeira da unidade.

O secretário de Saúde, o diretor geral do Hospital da Posse, Carlos Henrique Melo e o vice-diretor geral, Renato de Santana Baptista não foram encontrados para falar sobre o assunto. Carlos Henrique é ligado à Universidade Iguaçu (Unig), onde é professor de Neurologia. A Unig foi fundada pela família Raunheitti, que também faz parte do governo: Antonio José Mayhé é o presidente da Companhia de Desenvolvimento de Nova Iguaçu

Omissão da Câmara ajuda a piorar

As coisas na rede municipal de Saúde estão indo muito mal, mas isso só parece incomodar os funcionários e a população que depende do atendimento e sofre com a falta de estrutura. Na Câmara de Vereadores ninguém fala nada e nem se ouve falar em prestação de contas. Formada pelos vereadores Wilson Dias Carvalho, Anderson dos Santos e Jorge Luiz de Freitas Dias, a Comissão de Saúde da Câmara não tem mostrado serviço. Dos três membros dois controlam postos médicos: Wilson comanda as unidades de Comendador Soares e Jorge Luiz os postos de Austin.

De acordo com alguns funcionários, a maioria dos postos tem “donos”. Os vereadores ganham o direito de indicar os diretores e chefes de setores dessas unidades em troca de apoio ao governo na Câmara.

“Parece boicote”

Para os servidores efetivos a impressão que fica é a de que a gestão da prefeita Sheila Gama está sendo boicotada pelos colaboradores de confiança. “Estamos no quarto mês da nova administração e não vemos ninguém fazer nada para melhorar. O autoritarismo da época do coronel Laranjeiras permanece. É muita gente dando ordem, mas material para a gente trabalhar que é bom eles não providenciam”, afirma um funcionário.

Para um chefe de setor, na rede de Saúde fica a impressão de que a gestão é independente. “É como se a prefeita não mandasse na Secretaria Municipal de Saúde, que parece receber ordens de outro grupo”, completa.

Dívidas e caixa-preta

A verdadeira situação da rede de Saúde de Nova Iguaçu parece um segredo de estado. As contas foram mantidas em segredo durante os cinco anos e três meses da gestão de Lindberg Farias, que não prestava informações nem para a Câmara de Vereadores, que acabava fazendo o jogo do governo, não cobrando as informações necessárias. Os membros do Conselho Municipal de Saúde não eram ouvidos e esse conflito, por várias vezes, acabou indo parar na Justiça. “As dívidas da Saúde são volumosas. Tem fornecedor a beira da falência por causa das faturas não pagas. Era assim na administração de Lindberg e continua sendo na gestão de Sheila Gama, que parece estar apenas fazendo figuração no governo. Não se resolve nada na Saúde”, diz um membro do conselho, que não vê diferença entre uma gestão e outra em relação ao setor.



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