sábado, 22 de agosto de 2009

Prefeitura de Nova Iguaçu faz contratos sem critérios

Temporários vão ganhar mais que os servidores concursados e vereadores correm para abrigar seus apadrinhados.

Sem ter mais como protelar o cumprimento das decisões judiciais que proibiram a prefeitura de Nova Iguaçu de manter a contratação de pessoal através das cooperativas de multiserviços – que já faturaram cerca de R$ 300 milhões nos últimos anos em contratos considerados ilegais pela Justiça -, o prefeito Lindberg Farias (PT) decidiu criar cargos temporários e anunciou que 2.545 pessoas serão empregadas por um período de 10 meses, usando o currículo como único critério para a admissão.

Desde o governo Mario Marques que o Ministério Público Federal proibiu a utilização de servidores cooperados e assim que assumiu, ao contrário de cortar os cargos, Lindberg aumentou a folha de funcionários ligados à cooperativas. Nos últimos quatro anos, algumas dessas cooperativas foram envolvidas em processos na Justiça. No ano passado, a Justiça endureceu e chegou a mandar suspender o pagamento alegando irregularidades em contratos.

Os temporários vão atuar na área da Saúde, setor que vem sofrendo muitas críticas da população por conta do péssimo atendimento prestado. A falta de critérios para essas contratações está causando preocupação. “O governo diz que vai contratar, mas não se especifica como vai ser essa escolha. É uma loucura muito grande. As informações são truncadas e a gente não sabe nem se o pessoal das cooperativas vai ter prioridade”, reclama Wagner Peixoto, uma das pessoas que se inscreveu no processo.

“Coisa louca”


A decisão do governo surpreendeu a todos e já levanta suspeitas de privilégios, pois o edital foi publicado no último dia 19 no diário oficial, comunicando que as inscrições haviam começaram dia 18. “Isso é um absurdo. O pior que o edital diz que a seleção será feita por currículo, mas não coloca pontos para diferenciar um do outro”, diz o advogado José Eduardo Moreira.

“Realmente é uma coisa muito maluca. O edital saiu dia 19 com o prazo para começar a inscrição no dia 18. Não sabemos como essas pessoas serão escolhidas e nem se teremos gente qualificada para os cargos”, pondera o vereador de oposição, Thiago Portela, que também foi pego de surpresa. Para ele, é mais um processo do governo sem transparência onde a população é a última a saber.

Os funcionários concursados da prefeitura também não estão satisfeitos. “O vencimento de um motorista de ambulância concursado hoje é de pouco mais que o salário mínimo. Pelo que ficamos sabendo, esses que vão entrar por contrato vão ganhar R$ 700. Isso acontece com todos os cargos. É mais uma injustiça”, reclamou um funcionário que preferiu não se identificar.

Uma das promessas de campanha do prefeito era de implantar o plano de cargos e salários, a famosa lei 709. Lindberg chegou a registrar em cartório a proposta que constava no seu plano de governo mas também não cumpriu.

Outra questão é em relação a maioria dos vereadores. Muitos tiveram os apadrinhados prejudicados no último corte feito pelo governo. Agora, eles também esperam conseguir algumas dessas vagas. Enquanto a situação não se resolve, os postos de saúde são os mais prejudicados com a falta de pessoal. Na maioria dos PSFs faltam profissionais e apenas um médico faz o atendimento comparecendo apenas uma vez por semana. “E não é só isso, também falta receituário, faltam medicamentos e ninguém faz nada. O tratamento de saúde mental, por exemplo, é o pior do estado”, desabafa a dona de casa Jorgina Ferreira que já precisou dos serviços e não foi atendida.





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