segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Disputa pela presidência da Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu começa acirrada

Os rumores de que a deputada Sheila Gama (PDT), eleita vice na chapa capitaneada por Lindberg Farias (PT), não assumirá o cargo, em janeiro, já provoca reflexos na disputa pela presidência da Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu. É que se o prefeito resolver se candidatar ao Senado ou ao Governo do Estado, em abril de 2010 ele terá que se desincompatibilizar. Neste caso, com a ausência do vice, quem assume como prefeito é o presidente da Câmara de Vereadores. Isso faz acirrar ainda mais a disputa pelo comando da Casa Legislativa Municipal.

Na aliança DEM-PV, que conseguiu eleger a maior bancada, que será formada por cinco dos 21 vereadores que atuarão a partir de 2009, pelo menos três são candidatos. Carlinhos Presidente (DEM), que foi o vereador eleito mais votado, é um dos que postulam a administração da Câmara. Outro vereador reeleito pelos Democratas, o Daniel da Padaria, também concorre à presidência da Câmara e conta com a simpatia do prefeito. Já o atual líder de governo na Câmara de vereadores de Nova Iguaçu, Xandrinho (PV), também oferece o nome como opção para a presidência da Casa.

De olho no futuro, o PT também não quer entregar a outro partido a administração da Prefeitura de Nova Iguaçu. A mais votada da legenda e ex-toda-poderosa Professora Marli, que já acumulou as funções de secretária municipal de Educação e de Saúde, também coloca o nome na lista dos presidenciáveis. No entanto, é pouco provável que seu nome seja aceito pelos demais membros da Câmara.

Correndo paralelamente e no silêncio, o atual presidente da Câmara, Jorge Marotte (PMDB), também concorre a permanecer no cargo. O único problema que Marotte enfrenta é que eleito foi reeleito pelo PMDB, legenda na qual Nelson Bornier disputou a cadeira de prefeito com Lindberg Farias.

Todos os vereadores reeleitos estão de olhos para os estreantes. Pelo menos dez deles inaugurar seus mandatos de vereadores em janeiro próximo. Assim como os novos vereadores, a influência do deputado federal Rogério Lisboa (DEM), assim com o seu fiel escudeiro e secretário municipal de Governo, Tuninho da Padaria (DEM), também influenciarão na escolha do nome. Eles podem ser decisivos na escolha do novo presidente da Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu e, quem sabe, prefeito em 2010.



“Bancada do Amém” passou de dois para seis vereadores


Mais do que nunca a religião teve influência no processo eleitoral em Nova Iguaçu. Considerados excelentes cabos-eleitorais, cada vez mais pastores de igrejas evangélicas ajudam a eleger políticos. Em Nova Iguaçu, por exemplo, o número de vereadores evangélicos eleitos triplicou. Além dos dois parlamentares ligados à Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), Rosângela Gomes (PRB) e Bispo Marivaldo Amorim (PTdoB), que foram reeleitos para a legislatura que começa em janeiro de 2009, outros quatros vereadores evangélicos foram eleitos. São eles Nicolasina Acarisi (PMDB); Vilma Aguazul (PDT); Pastor Laranja (PSDB) e Pastor

Wellington (PT).

A partir de janeiro de 2009, o número de evangélicos eleitos permitirá a criação da maior bancada da Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu. Ela poderá ser composta por seis integrantes, superando a bancada da aliança entre o DEM e o PV, que só elegeu cinco parlamentares. Matérias polêmicas como conceder títulos honoríficos a representantes de outras religiões poderão sofrer problemas, dependendo da composição do plenário no dia da votação.

Esse fenômeno crescente da presença de líderes religiosos como políticos de mandatos chama a atenção. Segundo a Constituição Brasileira o Estado deve ser laico, ou seja: sem preferência de credo ou religião. Porém, que observa os trabalhos da Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu percebe que a Constituição Brasileira não está sendo respeitado, pois o presidente da Casa deve encerrar as sessões plenárias proferindo a seguinte frase: “declaro encerrada a sessão sob a proteção de Deus”.

Para algumas pessoas, esse uso da religião como instrumento para capitalizar os votos dos fiéis acaba afetando a imagem das igrejas evangélicas. “Pelo que vemos nos jornais, política é uma coisa suja. Fico triste em saber que tem pessoas que usam o nome de Deus para fazer política”, diz a dona de casa Neuza Borges de Azevedo, de 49 anos.

Na relação das igrejas evangélicas com a política, templos onde deveriam concentrar o silêncio para a meditação, acabam se transformando em verdadeiros comitês eleitorais. Neles, muitos políticos se vestem da imagem de religioso para cooptar o voto do fiel.

O antigo PL, legenda que abrigou o deputado Bispo Rodrigues, envolvido no escândalo do mensalão, acabou muita de sigla. Ligado à Igreja Universal, Rodrigues foi cassado depois do seu nome citado no escândalo.




0 comentários: