terça-feira, 27 de abril de 2010

Niterói gasta R$ 2 milhões com políticos e apenas R$ 50 mil com proteção de encostas

Sustentar seus amiguinhos com salário de R$ 6 mil é mais importante que cuidar das encostas para evitar tragédias como a do Morro do Bumba. Jorge Roberto Silveira (PDT), o prefeito que diz ter um caso de amor com Niterói pensa assim

Um grupo seleto formado por 25 amigos e aliados do prefeito Jorge Roberto Silveira (PDT) tem mais recursos no orçamento que o programa de obras de contenção de encostas, mesmo a cidade tenha áreas de extremo risco, como os morros do Céu e do Bumba e dezenas de pessoas têm morrido em desabamento causados por deslizamentos no início desse mês.

De acordo com orçamento aprovado pela Câmara de Vereadores para este ano, o Conselho Consultivo do Município, cujos membros têm salário fixado em R$ 6 mil mensais terá em 2010 um custo de R$ 2 milhões e o programa de contenção de encostas apenas R$ 50 mil, 44 vezes menos que a dotação destinada ao conselho. Para Claudio Gurgel, professor de Administração Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF, o município inverteu as prioridades.

“É verossímil afirmar que o governo municipal prefere inflar os gastos públicos com políticas que atendem a interesses individuas, em detrimento de investimentos em obras que, neste momento de tragédia, poderiam ter salvado dezenas de vidas”, afirmou Gurgel.

Reforma mal feita

Os vereadores do bloco de oposição têm criticado bastante a prioridade de investimentos nas gestões do prefeito Jorge Roberto, que está cumprindo o quarto mandato. Para Waldeck Carneiro (PT), “a priorização de recursos na criação de cargos comissionados e em projetos como o Caminho Niemeyer demonstram uma preocupação excessiva em acomodar aliados políticos e em ‘maquiar’ a cidade”.

Carneiro revela que o prefeito começou a inchar a máquina administrativa em 2009, com uma reforma administrativa que criou mais 260 cargos comissionados e 21 secretarias regionais, aumentando a folha de pagamento em cerca de R$ 10 milhões à folha de pagamento municipal.

O vereador lembra que as secretarias regionais teriam as atribuições de mapear os problemas das localidades, identificando áreas onde há risco à população e de gerir os investimentos aplicados em cada região, mas não foram capazes, por exemplo, de apontar a situação do Morro do Bumba, que estava diante dos olhos e ninguém viu.


segunda-feira, 26 de abril de 2010

Olha mais uma do Previni ai, gente!

Quando postei ontem o artigo “Pode ser ainda pior”, não estava profetizando. É que em se tratando de uma administração petista tudo é possível. Hoje já começo a concordar com aqueles que costumam dizer que “onde o PT governa não nasce nem mais grama”.

Acabo de ser informado da existência de uma ata que ligaria o Instituto de Previdência do Município de Nova Iguaçu (Previni) à Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), onde foi descoberto mais um caso de corrupção envolvendo gente importante do Partido dos Trabalhadores, como, por exemplo, João Vacari Neto, escolhido para ser o tesoureiro da campanha de Dilma Roussef à Presidência da República.

É por essas e outras razões que não acredito que a Câmara de Vereadores vá apurar qualquer coisa relacionada ao Previni. No máximo jogará para a platéia. Também não acredito que o severo e competente José Camilo Brás continue na presidência do Previni se não tiver autonomia para arrumar a casa e jogar o lixo fora, pois ele não é homem de admitir sacanagem na coisa pública. Se não estiver interessado em por as coisas em ordem o casal Gama terá de escolher outro para o instituto.


Toma jeito, sujeito!

Tenho em meu vasto arquivo sobre os estragos na Prefeitura de Nova Iguaçu cópia de ofício enviado ao então prefeito Lindberg Farias por Gustavo Falcão, último presidente do Instituto de Previdência do Município de Nova Iguaçu (Previni) na desastrosa gestão lindbergniana, no qual Falcão fazia uma amistosa cobrança de uma dívida de R$ 5 milhões. Agora, com a maior cara-de-pau do mundo o dito cujo vem tentar inocentar o ex-patrão, afirmando que Lindberg não retirou dinheiro dos cofres do órgão.

Tá bom. Deve ter sido esse jornalista que foi lá, meteu a mão na grana e, de quebra, reteve os descontos feitos nos contracheques dos servidores. Gente, fui eu que arrombei o Previni.


Porque ninguém é inocente nessa história

Quando digo que “duvido e faço pouco” que a Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu vai apurar a fundo o estrago feito pelo (des) governo Lindberg Farias (PT), sei exatamente o que estou falando. Dos vereadores que com ele se elegeram em 2004 lá ainda estão Marcos Fernandes, Marcos Rocha, Marli Freitas, Marivaldo Amorim, Jorge Marotte, Fernando Cid, Carlos Ferreira, Carlinhos Presidente, Daniel da Padaria, Xandrinho e Rosangela Gomes. Todos tiveram um bom pedaço do bolo. Uns mais, outros menos, mas foram contemplados com cargos suficientes para financiarem suas tropas de cabos eleitorais, além de terem garantidas benesses. Vocês acham que essa gente vai fazer mesmo alguma coisa? Tem mais: dos dez novos pelo menos seis mergulharam logo – e de cabeça – no poço sem fundo aberto por Lindberg. Vocês ainda acham que vai acontecer alguma coisa?

Essa semana, por conta das declarações do presidente do Previni, deverá haver muito falatório na Câmara, mas será só isso. Thiago Portela deve propor uma CPI, os Xandrinhos da vida vão deitar falação e concentrar fogo em cima dos mais fracos, deixando Lindberg de lado, pois a esse eles não tem coragem de atingir. Carlos Ferreira deverá insistir na convocação dos ex-presidentes do instituto. É o meio que encontrou para esconder a extensa cauda de Lindberg, a quem passou cinco anos e três meses defendendo e contra quem não tem coragem – nem moral – para sustentar alguns segundos de acusação.

Marcos Fernandes, o presidente, boneco de ventríloquo comandado por Rogério Lisboa e Tuninho da Padaria vai dizer que tem um papel mais importante a cumprir e alegará que precisa ter um “comportamento de magistrado”. Fernando Cid certamente vai fingir que quer apurar e se a CPI for aprovada devera reivindicar uma vaga.

A verdade, caros seguidores, é que ninguém lá na Câmara pode pretender dar uma de santo nessa hora. Quem não errou com a participação, o fez se omitindo, fechando os olhos para uma verdade que ferrou com Nova Iguaçu. Não estou aqui pretendendo estragar a semana de ninguém, mas o fato é que, além dos R$ 400 milhões do Previni tem mais rombo: outros R$ 400 milhões na Educação e pelo menos R$ 600 milhões na Saúde.