terça-feira, 3 de maio de 2011

MP enquadra Quaquá em quatro ações por improbidade


O prefeito de Maricá, Washington Luiz Cardoso Siqueira, o Quaquá (PT), terá de encaminhar ao Ministério Público informações completas sobre quantas pessoas foram nomeadas para os segundo e terceiro escalões da administração municipal até julho de 2010, quando foi iniciada a campanha da primeira dama Rosangela Zeidan, que foi candidata a deputada estadual pelo PT. De acordo com estimativas, pelo menos 350 pessoas teriam sido empregadas pela Prefeitura em cargos de livre nomeação, possivelmente para atuarem na campanha de Zeidan. Segundo foi denunciado ao MP, cabos eleitorais com área de atuação na Baixada Fluminense também teriam sido recrutados em favor da primeira dama.
Conforme o blog já noticiou na semana passada, além de investigar denúncias de irregularidades em contratos para a realização de obras e prestação de serviços em Maricá, a Promotoria de Tutela Coletiva, núcleo de Niterói, abriu inquérito para apurar o uso da máquina administrativa em benefício da candidatura de Zaidan, pois foram protocoladas denúncias dando conta de que cabos eleitorais de vários municípios, principalmente da Baixada Fluminense, teriam sido nomeados para cargos comissionados, com o único propósito de atuar na campanha de Zeidan, que não conseguiu se eleger.
A situação do prefeito é extremamente delicada. Em abril, além dos três novos inquéritos instaurados, o Ministério Público ajuizou quatro ações civis públicas contra Quaquá, todas por prática de improbidade administrativa. Os processos estão tramitando na 2ª Vara Cível do município. Duas ações visam impedir a circulação de uma revista com promoção pessoal do prefeito, que deverá ser obrigado ressarcir os cofres pelos gastos com a publicação.
As outras ações tem por base o relatório final de uma CPI instalada pela Câmara de Vereadores. Foram constatadas irregularidades na contratação de duas empresas para fornecer materiais de construção para a Secretaria Municipal de Obras. Nessas duas ações a promotoria está pedindo a cassação do mandato de Quaquá, a perda de seus direitos políticos e o ressarcimento dos cofres públicos no valor dos dois contratos.


O silêncio de Rozam Gomes da Silva

Nas últimas horas recebi pelo menos umas 300 mensagens me pedindo para ouvir o que o prefeito de Magé, Rozam Gomes, teria a dizer sobre o fato de ter desistido de retornar à Prefeitura ontem, depois de quatro meses de licença. Fiz a minha parte, mas o homem não fala de jeito algum. Não atende telefone e nem responde aos e-mails. Concluo então que ele prefere silenciar-se, mas não sei se por não saber o que dizer ou por achar que não deve satisfação sobre o seu ato, visto por muitos como covardia e por alguns como um negócio, como se a administração municipal estivesse sendo “arrendada”.
O último contato que tive com o ex-prefeito (já o vejo assim por acreditar que o próximo passo venha ser a renúncia) foi no fim da tarde da última quinta-feira, quando, por e-mail, me confirmou que não assinara um segundo pedido de licença. Entendo que ele tenha todo o direito de retornar ou não ao exercício do mandato do qual é legalmente o titular, mas Rozam tem a obrigação de ser transparente. Tem de vir a público e falar abertamente sobre isso, pois é uma pessoa pública, é um servidor e tem de se explicar sim a seu patrão, que é o povo de Magé.
Não vi o novo pedido de licença e não posso precisar que o objeto seja o trato de assuntos particulares. Se for esse, não vai colar, pois ele já teve 120 dias de licença para isso. Se a alegação for cuidados médicos, terá de dizer isso diretamente ao povo. O que não pode é ficar nesse disse-me-disse sobre pressões e outras coisas mais. Minha conclusão final é de que está faltando respeito para com os mageenses e dou por encerrado esse assunto, até porque não acredito que o ex-prefeito volte a manter contato comigo. Por outro lado, temos de respeitar, mesmo não concordando, a opção pela falta de satisfação à opinião pública, até porque o silêncio dos mortos é sagrado.


segunda-feira, 2 de maio de 2011

Contratos investigados em Itaguaí


Licitações vencidas pelas empresas Litorânea e Valle Sul serão devassadas

 O Ministério Público Federal vai analisar todos os contratos firmados entre a Prefeitura de Itaguaí e as construtoras Litorânea e Valle Sul, que, segundo notícia crime assinada pelos vereadores Abeilard Goulard, Carlos Kilfer, Lenilson Rangel, Luiz Roberto de Jesus, Nisan Cesar, Toni Coelho e Vicente Rocha e protocolada também na Polícia Federal, seriam beneficiadas em licitações direcionadas. De acordo com a denúncia, que aponta ainda para suposto enriquecimento ilícito do prefeito Carlos Busatto Junior, o Charlinho, essas duas empresas concentram 90% dos contratos para a realização de obras e juntas, somente no ano passado, receberam cerca de R$ 50 milhões da Prefeitura.  A estimativa é de que essas construtoras tenham faturado juntas, mais de R$ 300 milhões nos últimos seis anos.
                Além dos contratos, o MPF deverá investigar ainda possível ligação do prefeito com a Construtora Litoranea, pois os sete vereadores disseram na denúncia, que os donos da empresa seriam “testas de ferro” do prefeito e aparecem no contrato social de outra empresa, a J.J. Abade, que teria construído uma mansão luxuosa que o prefeito tem no Condomínio Sítio Bom, em Mangaratiba. Outra investigação deverá ser concentrada na possível lavagem de dinheiro, segundo os sete vereadores, que seria feita através de empresas que estariam registradas em nome de parentes do prefeito ou de “laranjas”.
Conforme o blog já noticiou, os vereadores pediram que o Ministério Público Federal e a Polícia Federal investigassem a evolução patrimonial do prefeito, que além de vários imóveis é seria dono de uma lancha avaliada em R$ 5 milhões e tem como nome CABB-60, as iniciais do nome do prefeito, de sua mulher, a deputada estadual Andrea Busatto e da filha Bruna. Na denúncia os vereadores afirmam que “num passado não muito distante o senhor Charlinho possui apenas um veículo procedente de roubo, que o levou a responder a competente ação criminal e hoje, além de várias empresas distribuídas a ´laranjas`, possui incontáveis imóveis na região da Costa Verde”. O prefeito não foi encontrado para falar sobre o assunto.


A morte de Rozam Gomes da Silva


           Morreu hoje, politicamente falando, o prefeito de Magé, Rozam Gomes da Silva (PR). Seu sepultamento acontecerá todos os dias, nas ruas, nas esquinas, nos lares e nos bares da cidade. Com a “morte” de Rozam, nasceu hoje em Magé a certeza de que o prefeito licenciado agiu por livre e espontânea vontade ao licenciar-se a partir de 1º de janeiro de 2011 para tratar de assuntos particulares e que jamais sofrera pressão da Câmara de Vereadores ou do próprio prefeito interino, Anderson Cozzolino, o Dinho, muito menos ameaças. Fechou-se as cortinas e interrompe-se a encenação, que certamente voltará em cartaz daqui há quatro meses.
           Para quem estava esperando o retorno de Rozam à Prefeitura a partir dessa segunda-feira, confirmo agora a notícia que recebi por volta das 22h de domingo e estava esperando sua confirmação para reportar-me sobre o assunto: Rozam, em comum acordo com Dinho e demais membros família Cozzolino - com exceção do ex-prefeito Charles - resolveu que não reassumirá o cargo. Sem nenhuma arma apontada para sua cabeça, ele se decidiu por uma nova licença. O documento deverá ser protocolado na Câmara a tempo de ser lido na sessão de amanhã pelo presidente interino.


Nas mãos de Deus


           Essa será mais uma semana de turbulência em Magé. O prefeito licenciado, Rozan Gomes, resolveu voltar ao cargo e os vereadores leais a Anderson Cozzolino, o Dinho, prefeito interino até o último sábado, não querem isso. Fizeram de tudo para que Rozan ficasse fora, renovando a licença ou renunciando ao mandato. Parece brincadeira, mas não: na última quinta-feira chegaram a preparar um documento como se Rozan estivesse pedindo mais quatro meses de licença e levaram para ele assinar. Como Rozan não concordou, tentaram um golpe muito do sujo: disseram que tinham um documento enviado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) mandando afastar o prefeito e iriam fazê-lo. Ficou só na ameaça, mas essa semana não será de trégua. Muito pelo contrário...
Até onde seu sei a volta do prefeito contraria muitos interesses. Contratos milionários deverão ser anulados e gente que deveria estar bem longe do serviço público deverá ser colocada no devido lugar e para evitar as “perdas e danos” esses vereadores deverão ameaçar com CPIs. Já fizeram isso antes e não pensarão duas vezes antes de o fazerem de novo. Não sei da razão de nenhum deles, mas o fato é que pelo menos sete dos treze membros do Poder Legislativo estão dispostos a tudo para tirar Rozan do cargo e entregar o Poder Executivo a Dinho.
Mesmo não sabendo dos motivos, não tenho o menor pudor em afirmar que esse esforço não tem nada a ver com moralidade ou legalidade, pois esses senhores nunca se preocuparam com as denúncias chegadas até a eles. Muito pelo contrário: sempre se fizeram de surdos, cegos e mudos.  A guerra pelo poder em Magé há muito que já deixou de ser uma questão política. Ultrapassa a raia do absurdo e alcança a do banditismo. Sim, banditismo mesmo, pois quem quer pisar nas leis para fazer prevalecer seus interesses pessoais, não pode ser visto de outra maneira. Então, já que a Justiça não consegue dar jeito, devemos entregar a cidade e seus “donos” nas mãos de Deus.


domingo, 1 de maio de 2011

A miss simpatia de Guapimirim


Vocês se lembram de uma professora da rede municipal de ensino de Magé chamada Ismeralda (com i mesmo) Rangel Garcia, que quando conseguiu algum poder passou a pisar nos mais humildes só porque tinha a proteção de Renato da Costa Mello, o Renato do Posto, que foi três vezes “prefeito” sem nunca obter um voto sequer?
Pois é. A “sargentona” agora é uma simpatia só. Com a morte de Nelson do Posto ela quer ser a herdeira dos votos e trabalha nos bastidores para ser candidata a prefeita em 2012. Já sorri para os funcionários, dá bom dia para a moça do cafezinho, fala com as pessoas nas ruas, vê os adversários como possíveis aliados, visita obras e até atende os mais carentes que antes faziam fila para falar com Nelson e sempre eram bem atendidos por ele, que com aquele sorriso gentil resolvia todos os problemas.
O acordo lá é o seguinte: no final do ano será feita uma pesquisa e se ela pontuar bem, aparecer com condições de vencer, será a candidata do grupo de Nelson. Se sua simpatia decorada não fizer efeito, o atual prefeito, Renato da Costa Mello Junior, o Junior do Posto, tentará a reeleição.


Narrimam no PDT

A ex-prefeita de Magé, Narrimam Felicidade, a Narrimam Zito, filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). Os partidos já estão se preparando para a disputa eleitoral de 2012 e essa semana, por exemplo, haverá uma reunião importante em Brasília para tratar-se de uma filiação no PT que poderá ser o nome da composição com o PMDB, que, aliás, está sendo alvo de uma disputa interna.
Dinho Cozzolino já bateu com a cara na porta duas vezes. A primeira foi quando tentou ser recebido pelo governador Sérgio Cabral a pedido do deputado Washington Reis, defensor de uma intervenção branca na legenda em Magé.
A segunda tentativa foi na Assembleia Legislativa e ouviu do deputado Rafael Picciani que a questão de Magé será resolvida pelo comando local, o que significa dizer que o nome a ser levado em convenção será o de Nestor Vidal, gostando Dinho ou não. Aliãs, Dinho não tem voz alguma no partido. Sua expressão no PMDB é representada apenas por seu único voto.
Sobre o PDT de Magé, espera-se que as coisas tenham mudado. Aquilo lá sempre foi um saco de gatos, uma confusão danada. Aliás, quem bagunçou bastante a legenda foi um Cozzolino, o ex-prefeito e ex-deputado federal Renato Cozzolino Sobrinho.


Washington Reis e Magé

Conheço o deputado Washington Reis (PMDB) desde o tempo em que ele foi vereador em Duque de Caxias. Foi para a Assembleia Legislativa e lá aprendeu alguma coisa com Sergio Cabral e Jorge Picciani. Voltou a Caxias como prefeito em 2004, levou um sacode nas urnas em 2008 e no ano passado conseguiu eleger-se deputado federal, mesmo com a ficha mais suja do que piso de galinheiro.
Pois bem, essa trajetória toda parece não ter sido suficiente para o deputado descobrir a necessidade de se mirar no horizonte certo. De uma hora para outra passou a demonstrar um interesse súbito pelo município de Magé. Adepto do que costumo chamar de Bazar Turco, onde se pode fazer qualquer negócio, é um grande incentivador do golpe contra o prefeito licenciado Rozan Gomes.
Diz que tem muita força e pode fazer aparecer, de ultima hora, um papelzinho milagroso. Um dos maiores escritórios de advocacia do Brasil, comandado por Sergio Bermudes, entende que esse milagre é tão fajuto quanto aquela gracinha que os vereadores tentaram fazer na última quinta-feira.