domingo, 28 de novembro de 2010

Tentativa de golpe em Valença

Vereadores querem mudar regras para eleger prefeito por via indireta


Uma tentativa de golpe armada na Câmara de Vereadores para impedir a realização da eleição suplementar para a escolha do novo prefeito da cidade, revoltou a população que resolveu se unir para impedir a manobra, que consiste na alteração de dois parágrafos no artigo 4º da Lei Orgânica. A mudança foi posta em votação duas vezes, mas os moradores ocuparam a Câmara em protesto e a votação foi remarcada para essa quarta-feira. Para o desembargador Nametala Jorge, presidente do Tribunal Regional Eleitoral, a mudança proposta pelos vereadores “é um ato atentatório à democracia” e como tal será repudiada pelo Poder Judiciário.

A alteração rejeitada pelos moradores está no primeiro parágrafo, propondo que caso os cargos de prefeito e vice-prefeito fiquem vagos nos dois últimos anos do mandato, o município realizará eleições 32 dias após o vice ser afastado, mas de forma indireta, com os vereadores decidindo quem será o prefeito. O advogado Admilson Parreira afirmou que se os vereadores insistirem com o golpe e aprovarem a emenda, será impetrada uma ação de inconstitucionalidade, com pedido de liminar para anular a alteração.

Segundo o advogado, a alteração trata-se de um jogo de cartas marcadas. A idéia, diz ele, seriam os vereadores elegerem o vereador Pedro Graça (primo do prefeito interino Luiz Fernando Graça) para presidir a Câmara a partir de janeiro e depois conduzi-lo ao cargo de prefeito, com a aprovação de Luiz Fernando, que não foi encontrado para falar sobre o assunto. De acordo com o que se comenta nos bastidores do poder em Valença, a idéia de eleger Pedro Graça presidente do Legislativo seria de Luiz Antonio Correa, pai do deputado estadual Andre Correa.

Eleição autorizada pelo TSE

De acordo com uma fonte do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a população de Valença pode ficar tranquila que não existe a menor possibilidade de a escolha do novo prefeito se dar por via indireta. “Isso não vai acontecer. Não será permitido que se tire esse direito do povo”, afirmou.

Ainda de acordo com a fonte, até sexta-feira o desembargador Nametala Jorge deverá anunciar a data da eleição suplementar, pois no dia 23 o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julgou procedente o pedido feito pelo TRE e autorizou a votação até o dia 31 de dezembro. O TRE pretendia realizar a nova eleição no dia 5, mas essa data já foi descartada, pois não há tempo suficiente para os procedimentos necessários.

Água no chope

A autorização dada pelo TSE para que o TRE marque a eleição suplementar para dezembro caiu como uma ducha fria sobre os vereadores que pretendiam mudar as regras do jogo no final do segundo-tempo. A emenda que eles pretendem foi assinada pelos parlamentares Paulo Jorge César, o Paulinho da Farmácia (PPS), Salvador de Souza, o Dodô (PSB), José Reinaldo Alves Bastos, o Naldo (PMDB), Pedro Paulo Magalhães Graça (PTB), João Carlos Modesto, o Carlinhos do Osório (PSB) e Paulo Celso Alves Pena, o Celsinho do Bar (PPS).

A mudança pode até ser aprovada, mas não terá nenhum valor legal e servirá apenas para engrossar a Lei Orgânica Municipal, que em Valença só tem servido mesmo para enfeitar as mesas dos membros do Poder Legislativo.


Eu e Nelson do Posto

Conheci Nelson Costa Mello em 1987. Fui apresentado a ele pelo hoje presidente do PMDB em Magé, Ernani Silva, a quem considero como irmão. “Tio Ernani”, é assim que os políticos o chamam, chegou para mim e falou: “Preciso que você conheça uma cara que ainda será uma grande liderança política na região”. Aceitei o convite e fui até Parada Modelo e me tornei amigo de Nelson do Posto, que um ano depois foi o segundo vereador mais votado no município, ficando a poucos votos de Charles Cozzolino, eleito à sombra do pai, o velho Renato Cozzolino, que falecera dois anos antes. Era só o início: Nelson teve três mandatos de prefeito, um de deputado estadual e mandou para a Assembleia Legislativa o irmão Renato e os sobrinhos Junior, Renata e depois colocou Junior na Prefeitura.

Apesar de sermos compadres – ele é padrinho do meu filho Ives, hoje estudante de jornalismo - por força do trabalho não vinha falando muito com Nelson ultimamente. Meu último encontro com ele foi há seis meses. Na semana passada fui informado de que ele havia sido internado. Achei que seria só mais uma daquelas passagens rápidas pelo hospital. Quinta-feira ainda falei sobre isso com o Ernani e ele me disse que dessa vez a situação era mais complicada. Ernani estava certo. Hoje pela manhã recebi a noticia do falecimento e telefonei para o “tio”e quem me atendeu foi a esposa dele. Ernani estava muito abalado com a morte do amigo e não tinha como falar comigo.

Conheci Nelson do Posto muito bem e posso dizer do grande compromisso social que ele se encarregava de resgatar. Gostava de estar perto do povo, tinha amor pelo trabalho. Cuidava mais dos outros do que de si mesmo e creio que nesse momento ele está em muito boas mãos lá no andar de cima, onde terá todo tempo para continuar sendo o protetor dos menos favorecidos.

Me lembro que certo dia fui a casa dele e me deparei com um busto de bronze afixado sobre o muro, próximo da piscina. Disse a ele que não gostava daquilo, porque esse tipo de homenagem não se faz aos vivos. Ele riu, tomamos mais um copo de cerveja e ele respondeu: “Liga não. Um dia isso terá sua utilidade”. Infelizmente essa hora chegou.


Adeus a Nelson do Posto

Ex-prefeito morre no momento em que Guapimirim – município que ajudou a criar – comemora 20 anos de autonomia político-administrativa

Faleceu na madrugada de hoje, em Teresópolis, onde estava internado há uma semana, o ex-prefeito de Magé e Guapimirim, Nelson Costa Mello, o Nelson do Posto, vítima de complicações causadas por uma bronquite crônica. O corpo será velado na Prefeitura de Guapimirim e o horário do sepultamento, que acontecerá no cemitério do Bananal, ainda não foi definido. Nelson deixa dois filhos de criação, Patrícia e Alex, filhos de sua mulher, a ex-vereadora de Guapimirim Nilda Machado Orsi, com quem ele vivia há cerca de 30 anos.

Empresário bem sucedido, Nelson do Posto entrou para a vida pública em 1988, quando foi eleito vereador pelo PL, para representar o então terceiro distrito na Câmara Municipal de Magé. Dois anos depois tentou eleger-se deputado estadual e ficou de fora por apenas 148 votos. Em 1992, com a emancipação de Guapimirim - que está comemorando 20 anos de autonomia político-administrativa -, Nelson foi eleito prefeito e governou a cidade até 31 de março de 1996, quando deixou o município sob a gestão do vice-prefeito Ailton Vivas e foi disputar a Prefeitura de Magé, município que governou até 31 de dezembro de 2000.

Em 2002 Nelson foi eleito deputado estadual e em 2004 retornou como prefeito de Guapimirim. Em 2008 lançou o sobrinho Renato Costa Mello Júnior, o Junior do Posto à Prefeitura de Guapimirim, onde vinha atuando como uma espécie de supersecretário, coordenando todas as ações de governo.

Além da viúva e dos filhos que criou, Nelson deixa os irmãos Celso e Regina, que cuidam dos negócios agropecuários, dos postos de gasolina e restaurantes mantidos pela família em Areal, terra natal do ex-prefeito.


sábado, 27 de novembro de 2010

A sociedade também tem culpa

A situação de guerra em que vivemos nos indigna a todos. As ações criminosas que se alastram, acuam a população. Os traficantes se acham donos da cidade e resolveram enfrentar o estado que decidiu – com bastante atraso – partir para o confronto. Bom seria que todos nós aproveitássemos o momento para refletir, pois a sociedade também tem sua parcela de culpa e a sociedade somos nós.

Segundo estudo do governo estadual, o consumo anual de maconha é de 90 toneladas, o de cocaína 8,8 toneladas e o de crack chega a 4,3 mil quilos, garantindo um faturamento total de R$ 633 milhões. O estudo mostra ainda que os traficantes têm um custo anual de R$ 158,7 milhões com a compra de drogas e R$ 24,8 milhões com a aquisição de armas. As perdas com apreensões chegam a R$ 19,4 milhões e ainda assim eles conseguem um lucro de R$ 236,6 milhões em doze meses.

Os números são astronômicos, mas não existiriam se não houvesse os consumidores. A guerra é travada nas favelas onde os traficantes operam o rendoso negócio. Eles não descem os morros para venderem a mercadoria. Os consumidores vão até a eles. Pois é, essa é a verdade: a sociedade que protesta e reivindica uma reação do Estado, é a mesma que sustenta o tráfico com seu vício.

Que tal deixarmos de ser hipócritas e olhar ao nosso redor, meter o dedo na ferida e conversarmos em família, entre amigos e conhecidos para exigirmos de nós mesmos uma reação pessoal?


A resposta de Rozan Gomes

Enviei agora a pouco um e-mail ao prefeito de Magé, Rozan Gomes, com algumas perguntas sobre a informação de que ele estaria sendo pressionado a deixar o cargo e que teria sido feito um acordo nesse sentido.

Ele negou. Afirmou apenas que poderá tirar uma licença para tratamento médico, que poderia ser de 15 ou 30 dias. Sobre as pressões ele me disse que é difícil querer remar o barco contra maré, mas que ninguém o está pressionando ou obrigando a sair.

“Alias, obrigado eu não faço nada. Nada mesmo”, me escreveu. “Quanto a licença, é outra especulação. Eu tenho um problema no nariz que vem prejudicando minha saúde - desvio de septo - e venho fazendo alguns exames há meses para uma cirurgia. Se necessário for tirarei uma licença sim, mas nem foi marcada ainda. As pessoas falam o que não sabem”, concluiu.

Publico aqui as palavras do prefeito em respeito aos milhares de mageenses que me escrevem, pessoas abaladas pela instabilidade gerada pelas (des)informações saídas dessa fábrica de boatos chamada Magé. O compromisso de um jornalista é com os fatos e é por isso que o profissional de imprensa só veicula a informação depois de checá-la, não publicando nada por ouvir falar.