domingo, 27 de dezembro de 2009

Sob encomenda

Entrevistadoras de uma empresa de pesquisa contratada por Lindberg Farias tem ligado para residências fazendo uma consulta sobre intenção de votos. Quando o entrevistado responde que não votaria nele a entrevistadora retruca numa postura nada imparcial.

Aliás, o moço tem adotado uns meios esquisitos para saber em quem as pessoas pretendem votar. Tranca um grupo numa sala, faz sua ladainha e depois a consulta é feita quase que obrigando as pessoas responderem que votariam nele.


Passaralho

O prefeito de Magé, Rozan Gomes, deverá fazer várias mudanças no governo nos primeiros dias de 2010. Pode até ocorrer exonerações de secretários. Aliás, Rozan está fechando bem o ano. A relação com os servidores mudou da água para o vinho.


Sandálias neles!

A arrogância da equipe do deputado estadual Alcebíades Sabino lhe custou o mandato de prefeito de Rio das Ostras, mas o chefe não se emenda. Continua, ele mesmo, alimentando a prepotência de um grupo de sem-votos que se acham senhores da vontade do povo.

Depois vai chorar na cama, que é lugar quente.


Será?

Tem muita gente em Cabo Frio apostando que o deputado estadual Alair Correia não tentará a reeleição. Eu, particularmente, não acredito que isso ocorra.


De novo?

Depois de dois fracassos consecutivos nas urnas o ex-vereador de Cabo Frio, o agora secretário de Fazenda em Búzios, Jânio Mendes, vai disputar novamente uma cadeira de deputado federal pelo PDT. Resta saber onde estão os votos que ele acredita ter, já que sua derrota na eleição para prefeito foi humilhante.

Aposentadoria?

A cada dia aumenta mais as pressões para que o deputado federal Silvio Lopes “pendure as chuteiras”, mas ele está resistindo. Resta saber por quanto tempo.


Sem Pezão, não!

O governador Sérgio Cabral já antecipou a resposta ao PT. A vaga de vice é inegociável. “Pezão é o meu candidato, o do presidente Lula e da ministra Dilma Roussef. Se o PT quiser que peite os dois”, afirmou Cabral.


Em campanha

Os fiscais do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) precisam dar uma passadinha por Belford Roxo, onde o prefeito Alcides Rolim (PT), descaradamente, está usando a máquina da prefeitura em favor de sua mulher, Eliane Rolim, que será candidata a deputada estadual.




sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Lobo em pele de cordeiro

Alguns sociólogos costumam dizer que o povo evangélico adora ser enganado e estou quase convencido de que é por aí mesmo, do contrário esses pastores que compram horários em rede nacional de televisão não sobreviveriam. O espertalhão da vez é um mineiro da Zona da Mata. Chama-se Valdemiro Santiago. Ele resolveu criar sua própria seita - a Igreja Mundial do Poder de Deus, com sede em Sorocoba e cerca de 1.400 templos pelo Brasil afora - em 1998, depois de ter sido expulso da Igreja Universal do Reino de Deus, da qual era um dos principais bispos.

No programa que foi ao ar na última quinta-feira pela CNT, Valdemiro fez um apelo dramático. Pediu aos fiéis que lhe arrumassem R$ 3 milhões até o dia 31. “Preciso de 100 mil pessoas doando R$ 30 ou de 30 mil doando R$ 100”, disse ele. O dinheiro, afirmou, é para fazer um pagamento com urgência, mas ele não explicou o que precisa pagar.

A seita de Valdemiro já é a terceira em arrecadação. A primeira é a Universal, a segunda a Igreja da Graça (comandada pelo cunhado de Edir Macedo, o missionário RR Soares, que acabou de comprar um jatinho para, segundo ele, percorrer o Brasil pregando o evangelho).


Anjos e armas

Só para manter no ar o programa diário, Valdemiro paga R$ 3 milhões mensais à CNT, da qual é o maior cliente, mas não é disso que quero falar. Em 2003 o apóstolo foi preso pela Polícia Militar, em Sorocaba, transportando em seu carro uma escopeta calibre 12, duas carabinas Uru e 400 caixas de munição. Depois os policiais foram à casa dele e lá encontraram mais armas e munição. Então eu pergunto, para que um homem que se diz escolhido por Deus para levar a mensagem de salvação precisa de armas?

Durante suas pregações ele costuma repetir uma história que até hoje não foi comprovada. Ele fala que 1996, quando era um dos principais auxiliares de Edir Macedo e pesava 153 quilos, foi vítima de um naufrágio. Conta que saiu com alguns companheiros de barco para pescar em alto mar e quando estavam a 20 quilômetros da praia a embarcação começou a afundar. Então ele distribuiu os três coletes salva-vidas que havia entre os seus companheiros e pediu que ficassem na bóia do barco, pois voltaria, a nado, para conseguir ajuda.

Valdemiro conta que dois de seus companheiros decidiram segui-lo e desapareceram nas águas. Ele então nadou mais de sete horas - “com câimbras, dores nos braços, nas pernas, olhos sangrando devido à salinidade do mar, e o mais temível, em meio a enormes tubarões, que nadavam ao seu redor” – e que implorou a Deus que lhe enviou dois anjos para ajudá-lo até que fosse resgatado por um barco pesqueiro.

Se é verdade que Valdemiro é protegido por anjos de Deus, como ele mesmo costuma alardear, para que as armas?



quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Uma reflexão de Natal

Hoje os sinos dobram em todas as catedrais. Famílias do mundo inteiro - de mesa farta ou não - estão reunidas para comemorar o nascimento de um menino pobre que tornou-se o Rei dos reis. Nessa data, homens e mulheres – de boa vontade ou não – se mostram mais sensíveis. Até os poderosos que passaram o ano inteiro vilipendiando os pobres, pisando nos direitos do cidadão comum, encontram nesse dia um tempo para falarem mais manso e dispensarem pelo menos um momento de ternura, afinal é Natal, data que nos enternece a todos. Minha família começa a se reunir nesse momento em que escrevo essas linhas. Nossa mesa é farta, graças a Deus e ao esforço de nosso trabalho, mas em cerca de dois mil lares iguaçuanos o dia foi de tristeza e a noite não deverá ser diferente, pois há três meses pelo menos um membro dessas famílias não recebeu o salário devidos pela prefeitura de Nova Iguaçu. Décimo-terceiro então, nem pensar.

Isso é mais que triste. É humilhante, mas a situação não parece incomodar em nada o prefeito Lindberg Farias, que nasceu em berço de ouro, nunca trabalhou na vida e não sabe o quanto dói ouvir o filho pedir um presente, por mais barato que seja, e esse pedido não poder ser atendido. Acho que temos de parar para pensar. Então convido todos a refletirem lendo a crônica abaixo, texto escrito por Rubem Braga em junho de 1935.

Luto da família Silva

Assistência foi chamada. Veio tinindo. Um homem estava morto. O cadáver foi removido para o necrotério. Na seção dos “Fatos Diversos” do Diário de Pernambuco, leio o nome do sujeito João da Silva. Morava na Rua da Alegria. Morreu de hemoptise.

João da Silva - Neste momento em que seu corpo vai baixar à vala comum, nós, seus amigos e seus irmãos, vimos lhe prestar esta homenagem. Nós somos os Joões da silva. Nós somos os populares Joões da Silva. Moramos em várias casas e em várias cidades. Moramos principalmente na rua. Nós pertencemos, como você, à família Silva. Não é uma família ilustre; nós não temos avós na história. Muitos de nós usamos outros nomes, para disfarce. No fundo, somos os Silva. Quando o Brasil foi colonizado, nós éramos os degredados. Depois fomos os índios. Depois fomos os negros. Depois fomos imigrantes, mestiços. Somos os Silva. Algumas pessoas importantes usaram e usam nosso nome. É por engano. Os Silva somos nós. Não temos a mínima importância. Trabalhamos andamos pelas ruas e morremos. Saímos da vala comum da vida para o mesmo local da morte. Às vezes, por modéstia, não usamos nosso nome de família. Usamos o sobrenome de Tal”. A família Silva e a família “de Tal” são a mesma família. E, para falar a verdade, uma família que não pode ser considerada boa família. Até as mulheres que não são de família pertencem à família Silva.

João da Silva - Nunca nenhum de nós esquecerá seu nome. Você não possuía sangue azul. O sangue que saía de sua boca era vermelho - vermelhinho da silva. Sangue de nossa família. Nossa família, João, vai mal em política. Sempre por baixo. Nossa família, entretanto, é que trabalha para os homens importantes. A família Crespi, a família Matarazzo, a família Guinle, a família Rocha Miranda, a família Pereira Carneiro, todas essas famílias assim são sustentadas pela nossa família. Nós auxiliamos várias famílias importantes na América do Norte, na Inglaterra, na França, no Japão. A gente de nossa família trabalha nas plantações de mate, nos pastos, nas fazendas, nas usinas, nas praias, nas fábricas, nas minas, nos balcões, na mata, nas cozinhas, em todo lugar onde se trabalha. Nossa família quebra pedra, faz telhas de barro, laça os bois, levanta os prédios, conduz os bondes, enrola o tapete do circo, enche os porões dos navios, conta o dinheiro dos bancos, faz os jornais, serve no Exército e na Marinha. Nossa família é feito Maria Polaca: faz tudo.

Apesar disso, João da Silva, nós temos de enterrar você é mesmo na vala comum. Na vala comum da miséria. Na vala comum da glória, João da Silva. Porque nossa família um dia há de subir na política...




segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Farias, Gama & Cia. Ltda.

Ao contrário do que se esperava, o prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), não vai deixar o cargo no último dia do ano. Sairá em 31 de março de 2010, tendo mais tempo para causar ainda mais estragos ao município.

E quem pensa que ele ficará de fora do governo durante a gestão de Sheila Gama está redondamente enganado, pois Antonio Neiva, homem de confiança de Lindberg, será uma espécie de supersecretário, graças ao acordo firmado entre o prefeito e o conselheiro do Tribunal de Contas, Aluizio Gama, marido de Sheila.

Fonte de grande credibilidade me contou hoje pela manhã que Lindberg não corre nenhum risco de ter suas contas auditadas, uma vez que isso lhe teria sido garantido por Aluizio, que, na verdade, será o prefeito de fato, pois a esposa só fará o que ele determinar.

É bom lembrar que janeiro, fevereiro e março são os meses que mais as prefeituras arrecadam e como Lindberg não é o que se pode ser chamado de bom gestor, além das dívidas que chegam a cerca de R$ 600 milhões, Sheila encontrará os cofres vazios e uma carreta de abacaxis para descascar.