segunda-feira, 27 de outubro de 2008

As cores da polêmica

Catedral de Nova Iguaçu adota cores oficiais da Prefeitura e provoca reação dos paroquianos.

Gerado no ventre da Madre Igreja e fecundado nas chamadas Comunidades Eclesiásticas de Base, o Partido dos Trabalhadores quer se transformar de criatura em criador. Pelo menos, isso é o que leva a crer em Nova Iguaçu, município onde a comunidade católica está protestando contra uma possível associação do atual governo com a Igreja Católica.

A reforma e pintura da Catedral Santo Antônio de Jacutinga está gerando polêmica entre os fiéis. É que as cores escolhidas pela Comissão Administrativa da Igreja se assemelham às utilizadas pela Prefeitura da cidade para pintar escolas, postos de saúde e outros aparelhos públicos. Para o recém eleito vereador e pessoa que foi batizada na Catedral, Thiago Portela (PPS), o que está havendo é a partidarização da Igreja, fato que o fez enviar e-mail à Arquidiocese posicionando-se contra essa possível aliança. “Como católico me sinto ofendido”, sintetiza Portela.

As cores laranja e amarelo ouro, que revestem as paredes da Catedral, também não são bem recebidas pelo professor aposentado e ex-membro da Comissão de Justiça e Paz da Igreja, Salomão Baroud Davi. “Elas quebram uma tradição”, ressume. Outra que foi ao bispo Dom Luciano Bergamin para questionar a pintura é a católica Ivone Lecas, de 76 anos. “Essas cores não coadunam com a arquitetura da igreja. Elas são até bonitas, para blusas. Elas não oferecem paz para se fazer uma oração”, disse a fiel.

A suposta ligação entre a Igreja Católica e a administração petista começa novas suspeitas quando alguns fatos são observados. Um deles é muito simples: a Igreja Católica é a principal locatária de imóveis para abrigar as estruturas da administração municipal. Além disso, programas e deveres que deveriam ser feitos pela Prefeitura de Nova Iguaçu foram transferidos para a Igreja.



Igreja recebeu dinheiro público

Recentemente a Defensoria Pública questionou a iniciativa da Prefeitura de Nova Iguaçu de acabar com as casas abrigos e envia os menores para Casa do Menor São Miguel Arcanjo, ligada ao Padre Renato Chiera. Pra tal, a Prefeitura pagaria para a instituição cuidar dos menores, terceirizando o serviço e se isentando da obrigação de ser a responsável por cuidar das crianças.

A polêmica ganha mais intensidade quando observado mais um detalhes. Segundo fontes, o Ministério Público está de olho na relação Igreja e Prefeitura, já que foi um padre um dos responsáveis por administrar cerca de R$ 4 milhões para a realização do Fórum Mundial da Educação. Trata-se do Padre Pierre Tuossaint Roy, que hoje não está mais em Nova Iguaçu, local onde militava na área de Direitos Humanos.

Dom Luciano Bergamin, bispo da cidade, recebeu uma comissão de fiéis na quinta-feira, dia 16, mas afirmou que a pintura continuará sendo executada.






Improbidade ameaça Riverton

O prefeito de Macaé, deputado e vereador podem ficar sem mandato.

A acusação é de fraude em licitações para compra de merenda.

Reeleito no último dia 5, o prefeito de Macaé, Riverton Mussi (PMDB) poderá ter o mandato cassado. Ele, juntamente com o tio, ex-prefeito e deputado federal Sylvio Lopes (PSDB), o vereador Luiz Fernando Pessanha (também do PMDB) e outras 10 pessoas são réus em processo de improbidade administrativa proposto pelo Ministério Público Federal, que, em inquérito concluído recentemente apontou fraude em licitações para aquisição de merenda para os alunos da rede municipal de ensino.

De acordo com o que foi apurado pelo Ministério Público Federal os contratos firmados pela Prefeitura de Macaé com o minimercado Vieira e Pessanha – encarregado de fornecer os gêneros alimentícios eram incompatíveis com o porte da empresa. As investigações apontam que as outras empresas que participavam dos processos de licitação eram fantasmas e as que realmente existem e constam dos processos como inscritas na concorrência foram incluídas nas licitações sem o conhecimento de seus proprietários.

Ao todo estão sendo questionados 21 contratos. Por conta disso a Justiça Federal decretou a indisponibilidade dos bens do grupo no valor de R$ 1,5 milhão e deu ao prefeito Riverton Mussi um prazo de cinco dias para ele apresentar cópia dos contratos e se isso não acontecer ele poderá ser afastado temporariamente do cargo. Segundo a legislação se forem condenados por improbidade administrativa, os envolvidos podem ter os direitos políticos cassados por até oito anos, o que implicaria na perda de mandato do prefeito Riverton Mussi, do deputado Sylvio Lopes e do vereador Luiz Fernando.

Além dessa ação que tramita na Justiça Federal o vereador Luiz Fernando Pessanha é citado em outro processo na Justiça Estadual, por conta de desapropriações de imóveis feitas pela Prefeitura, que teriam beneficiado ainda familiares dos vereadores Marilena Garcia (PT), Paulo Antunes (PMDB), Chico Machado (PPS), João Sérgio de Lima (PMDB), do secretário-geral da Câmara Municipal, Nélio Nochi Emerick.

De acordo com o processo, no dia 8 de fevereiro de 2007 o prefeito Riverton Mussi assinou o Decreto 022/2007, desapropriando, por R$ 3.153.834,19, uma área de 125 mil metros quadrados, propriedade de Benedito Pessanha, irmão de Luiz Fernando, para construir um cemitério. Nessa ação estão sendo questionados 10 decretos de desapropriação de imóveis emitidos pelo prefeito Riverton Mussi (PMDB) durante os exercícios de 2005, 2006 e 2007, adquirindo para o município áreas e prédios que pertenciam a parentes de vereadores e a um empresário. A ação popular foi impetrada pelo servidor público Rafael Carvalho Ramos, que também apresentou denúncia na 1ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva. Só essas desapropriações custaram aos cofres públicos mais de R$ 70 milhões aos cofres da municipalidade.





quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Mais uma jogada suja de Lindberg

Sempre critiquei o jeito desastroso com o qual o prefeito Lindberg Farias (PT), administra Nova Iguaçu, principalmente no que diz respeito a contratação de pessoal. Desde janeiro de 2005 que ele vem abusando da criação de cargos comissionados para abrigar cabos eleitorais seus e dos vereadores aliados. Ao todo mais de 1.200 pessoas foram nomeadas e a imensa maioria só aparecia para receber salário, isso sem falar nas contratações através de cooperativas como Captar, Multiprof e Coop-Saúde.

Estima-se que cerca de cinco mil pessoas foram empregadas através dessas cooperativas que já faturaram mais de R$ 200 milhões nesses quase quatro anos. Lindberg optava por essas contratações porque entendia que se chamasse os concursados sofreria perdas políticas, pois aquele que não se sente seguro no emprego pode ser facilmente manobrado na hora de votar. Fez assim e seu deu bem. Imaginem cinco mil empregados, cada um de uma família. Quantos votos eles renderiam? Pois é, renderam e muito. Lindberg foi reeleito com mais de 60% dos votos válidos.

Toco nesse assunto para falar nas demissões feitas durante a semana. Não estou me posicionando contra as exonerações. Muito pelo contrário. Entendo que as milhares de pessoas que prestaram concurso e foram aprovadas é que tem de serem contratadas e não apadrinhados de vereadores. Estou é falando da maneira sórdida com a qual Lindberg agiu. Ele fez de tudo para não chamar os concursados, dando as desculpas mais esfarrapadas que sua mente é capaz de criar e bastou ser reeleito para demitir a todos. Isso é jogo sujo, prefeito. O senhor não demitia antes porque não queria perder votos nem o apoio da maioria que o sustenta na Câmara com esses cargos que custam muito caro ao pobre contribuinte iguaçuano. Por que o senhor não demitiu antes das eleições, por exemplo, aqueles 40 contratados indicados pelo vereador Marcos Fernandes e que não prestavam nenhum tipo de serviço à Prefeitura?

Prefeito, o senhor usou essa gente. Precisava delas para saciar a ganância de seus vereadores e obter votos. Como agora não lhe servem mais, são descartadas, jogadas fora como meros objetos em desuso, mas, por favor, prefeito, vê se pelo menos paga o que elas tem de direito a receber.




domingo, 19 de outubro de 2008

O recado das urnas para Macaé

Mais que derrotar o velho cacique Sílvio Lopes, as urnas mandaram um recado direto aos políticos de Macaé. Ficou claro que os eleitores querem mudança e a maior prova disso está na votação expressiva obtida pelo médico Aluizio dos Santos Junior (PV), que se tivesse mais uma semana de campanha poderia ter ultrapassado também o prefeito Riverton Mussi (PMDB), reeleito com 40% dos votos. Quem conhece bem a política local acredita que as urnas aposentaram o ex-prefeito Silvio Lopes, deputado federal pelo PSDB, que se tiver entendido o recado não se arriscará em tentar a reeleição em 2010.

As urnas também falaram diretamente para Riverton. Embora ele tenha saído vitorioso, o recado para ele fala de Aluizio e deixa bem claro que o médico - que até março deste ano participava do governo como presidente da Fundação Hospitalar - tem tudo para se eleger deputado daqui a dois anos, podendo escolher entre a Alerj e Brasília, além de ser o homem da vez para as eleições de 2012.

O recado das urnas alerta Riverton que se ele se aliasse a Aluizio, trazendo de volta ao governo, os dois serão imbatíveis num futuro bem próximo.




sábado, 18 de outubro de 2008

Por apenas um fio

Pode entrar água no chope da prefeita reeleita de Magé, a polêmica Núbia Cozzolino, que mesmo contra a vontade de seu partido, o PMDB, teve mais de 50% dos votos válidos, derrotando a ex-prefeita Narriman Zito (PRB), que apesar de uma campanha pobre (gastou menos de R$ 200 mil), conseguiu mais de 48 mil votos. A verdade é que se a Justiça brasileira fosse mais ágil e não houvesse tantas brechas nas leis para possibilitar as manobras jurídicas que acabam favorecendo quem deveria ser punido, Núbia era para ter sido cassada há muito tempo e ter os direitos políticos cassados por pelo menos oito anos. Pois bem. Conversei hoje com um especialista ele me disse que a situação da prefeita é muito grave. Ela corre sérios riscos de não tomar posse de seu segundo mandato e se assumir pode ser por muito pouco tempo.“Em alguns processos já se esgotaram as possibilidades de recursos. Tramitam em última instância e se forem julgados, com certeza ela perde o cargo, deixando a Prefeitura para a segunda colocada no pleito”, disse o advogado.


Perigo a vista


Tem gente que brigou muito para o vereador Antonio Marcos Lemos vencer a disputa pela Prefeitura de Casimiro de Abreu preocupada com os rumores de que membros da equipe do deputado Alcebíades Sabino terão participação no governo. O medo, na verdade, vem da possibilidade de Sabino impor o nome de Elói Dutra - seu ex-secretário de Administração em Rio das Ostras - para o primeiro escalão do governo de Antonio Marcos. Elói é réu, junto com Sabino, o ex-presidente da Comissão de Licitação da Prefeitura de Rio das Ostras e um casal de empresários, num processo de improbidade administrativa proposto pelo Ministério Público, que constatou superfaturamento num contrato para fornecimento de combustível.


Com “intenção” de assumir


Vice-prefeita eleita na chapa de Lindberg Farias (PT), a deputada Sheila Gama (PDT) apressou-se em dizer que estaria pensando em permanecer na Assembléia Legislativa, em vez de tomar posse como vice. Ela disse assim; “Minha intenção é assumir”. Vejam bem, ela disse que tem intenção, não afirmou que irá assumir. Para quem sabe ler, não ficou nada claro.


Cargos importantes


E por falar em Sheila Gama, é bom o deputado Walney Rocha (PTB), ficar atento. Orientada pelo marido, Aluizio Gama, a vice-prefeita eleita está reivindicando as secretarias de Saúde, Educação e Promoção Social. Walney, para quem não sabe, licenciou-se do mandato para comandar a rica Secretaria de Saúde de Nova Iguaçu.