sábado, 16 de agosto de 2008

Calote faz mal a Nova Iguaçu

Prefeitura não paga aluguéis nem empreiteiras. Funcionários

de cooperativas não recebem há três meses e mais

uma obra importante é interrompida.

Um orçamento de R$ 700 milhões para este ano e pelo menos mais R$ 200 milhões em repasses federais para os setores de Saúde e Educação, além de verbas de convênio para a realização de obras não estão sendo suficientes para o município de Nova Iguaçu manter os serviços básicos e pagar aos fornecedores, prestadores de serviços e empreiteiras. O caos estabelecido em vários setores, revela membros do próprio governo, é causado pela má gestão. Todos os dias é grande o movimento de insatisfeitos que vão ao gabinete do prefeito Lindberg Farias (PT) cobrar o que a Prefeitura lhes deve e na semana passada mais uma obra foi paralisada pelo mesmo motivo que parou outros tantos projetos: falta de pagamento.

Por conta disso o bairro da Prata está na lama, pois a Prefeitura interrompeu as obras na Avenida José Mariano dos Passos, orçadas em R$ 3.032.761, deixando um quadro deplorável. Buracos, lama e entulho de obra na pista dificultam o dia a dia de moradores e comerciantes. Pessoas como José Nascimento, de 35 anos. Dono do lava-jato da rua, José afirma que a procura pelo serviço caiu a zero. Ninguém vai lavar o carro numa rua cheia de lama”, protesta.

De acordo com os moradores, a Prefeitura afirmou que só mexeria nas galerias

de águas pluviais, e não no sistema de esgoto. Acontece que as obras teriam causado entupimento nos dutos de coleta, o que explicaria os recentes alagamentos no interior dos logradouros. O próprio lava-jato foi uma das vítimas. Sem clientes e, agora, com este vazamento tive que interromper as minhas atividades”, lamentou José.

Recentemente a situação piorou. Após a intervenção da Prefeitura, um cano estourou devido ao intenso fluxo de veículos e a água está jorrando na pista. “Isso aqui está perigoso. Além dos buracos e da lama, os motoristas têm que redobrar a atenção devido à água?, afirmou a moradora Nadir Rangel.

O secretário de Cidade, Hélio Aleixo, responsável pelo projeto, foi procurado para falar sob a interrupção das obras, mas não retornou o contato.

Devo. Não nego. Pago quando...

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), pelo menos para o município de Nova Iguaçu, não está sendo uma boa coisa. A afirmação é de um dos principais colaboradores do prefeito Lindberg Farias, que, segundo ele, teve de “raspar o fundo do cofre”, comprometer recursos próprios para cumprir as promessas de que as obras iriam começar. De acordo com o colaborador, os R$ 361 milhões não chegaram e como muitos projetos haviam sendo iniciados, o jeito foi lançar mão do que tinha e aí foram recursos de vários setores, inclusive do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Nova Iguaçu (Previni), provocando um rombo financeiro que pode já ter ultrapassado a casa dos R$ 300 milhões.

“Não dá para tapar o sol com a peneira. Não podemos sustentar que as obras estão sendo tocadas, porque não é verdade. As que não foram paralisadas de vez estão sendo tocadas muito devagar e não creio que fiquem prontas ainda este ano. A duplicação do viaduto da Posse é um desses projetos”, completou a fonte.

A má gestão, entretanto, segundo especialistas em obras públicas, é o maior problema. “Se não tinha dinheiro suficiente para tocar um projeto a Prefeitura não deveria iniciá-lo. Temos visto que não apenas obras grandes como as de saneamento e urbanização que estão interrompidas. A Prefeitura abandonou até obras simples, como reformas de escolas e pracinhas”, diz um empreiteiro que em 2005 foi contratado para construir uma praça, já parou a obra duas vezes e não sabe se retomará o serviço.

Três meses sem salário

As dívidas da Prefeitura atingem principalmente o setor de Saúde, onde o serviço tem de ser imediato. Falta de tudo nos postos de atendimento e no Hospital da Posse a situação é cada dia pior. Só o hospital deve mais de R$ 40 milhões. Dona de um contrato inicial de R$ 43 milhões, que já foi renovada por três vezes sem licitação, a cooperativa Captar não paga seus funcionários há três meses, período que a cooperativa estaria sem receber da Prefeitura.

Na última sexta-feira funcionários da Imunitec, empresa de terceirização de serviços controlada pela família do vereador Nagi Almawy e fornece mão de obra para vários setores da Prefeitura, denunciaram que também estavam sem pagamento e que somente os maqueiros que a empresa fornece para a Secretaria Municipal de Saúde haviam recebido.

Juiz manda prender secretário

Embora já tenha recebido cerca de R$ 600 milhões para investir na manutenção da rede municipal de Saúde e do Hospital Geral Dr. Mário Guimarães, o Hospital da posse, a Prefeitura de Nova Iguaçu não está conseguindo manter o abastecimento de suas unidades com medicamentos nem atender os portadores de doenças crônicas, que precisam fazer uso contínuo de medicamentos. Por conta disso, na última quinta-feira, o juiz João Batista Damasceno, da 7ª Vara Cível, determinou a prisão do secretário municipal de Saúde, Walney Rocha, por ter descumprindo decisão judicial que garante a Alcebíades Peres Machado Filho, os medicamentos dos quais ele precisa para sobreviver.

Walney só não foi preso porque o procurador do município, Carlos Raposo, fez um acordo que garantiu ao secretário mais um prazo para ele cumprir a decisão judicial. O juiz marcou uma audiência especial para essa quinta-feira, quando Walney terá de apresentar a garantia de que o paciente não mais ficará sem os medicamentos.

Essa é a segunda vez que um secretário de Saúde de Nova Iguaçu tem prisão decretada por não fornecer medicamentos a portadores de doenças que obrigam o uso contínuo de remédios. No ano passado o mesmo magistrado determinou que a então secretária, Marli de Freitas fosse presa porque a Secretaria de Saúde não estava entregando os remédios que uma aposentada precisava tomar diariamente. Dezenas de ações tramitam na Justiça pelo mesmo motivo.





quinta-feira, 14 de agosto de 2008

“Vem para a Caixa você também”

Essa saiu agora do forno. Uma fonte tão quente quando essa notícia acaba de revelar ao blog que a Prefeitura de Nova Iguaçu firmou um acordo com a Caixa Econômica Federal, passando para a CEF a administração da folha de pagamento dos servidores.

A informação dá conta de que o município vai receber R$ 25 milhões por esse grande negócio, tão bom para a Caixa como para a gestão lindbergniana, que está devendo a Deus e ao mundo, até o leite das crianças.

Há pouco mais de um ano o mesmo negócio foi fechado com o Santander e em 2005 o banco oficial era o HSBC. Vale destacar que nessa última troca de banco não houve licitação alguma e nenhum ato oficial nesse sentido foi publicado até agora pela Prefeitura.




sábado, 9 de agosto de 2008

Um poder supérfluo

Uma pesquisa do Instituto Executivo de Comunicação (Iecom) mostra que a maioria da população dos 92 municípios fluminense não sabe a função exata de um vereador. Grande parte acha que os membros das câmaras municipais devem fazer obras, prestar assistência médica e social, mas o que me chamou a atenção é a resposta de uma faixa de entrevistados, que disparou: “Vereador não serve para nada”.

Se formos analisar o comportamento de algumas casas legislativas seremos obrigados a concordar com esse raciocínio. Vou dar aqui o exemplo da Câmara de Nova Iguaçu, composta de 21 vereadores, cuja maioria só usa o mandato em favor próprio e para defender o governo em troca das migalhas que caem da mesa do Poder Executivo.

Tem vereador que passou o mandato inteiro entrando mudo e saindo calado do plenário, limitando-se a levantar um dos braços para sinalizar-se favorável ao que estava sendo proposto em defesa daquele que lhe dá ordens. Outros fizeram da tribuna a trincheira do indefensável, falando alto para calar a voz dos que clamavam por justiça e ousavam apontar as irregularidades praticadas pelo governo que lhes sustenta.

Faltam pouco mais de quatro meses para terminar o mandato dessa atual composição da Câmara de Nova Iguaçu. Então há que se perguntar: qual a utilidade teve para o povo a atuação do líder do governo, Alexandre José Adriano, o Xandrinho, por exemplo? O que os eleitores lucraram com Birro, Zé Mineiro, Daniel da Padaria, Fausto 100%, Fernando Baiano, Nagi, Marcos Rocha, Marcos Fernandes, Marivaldo Amorim, Rosangela Gomes, Carlos Ferreira, Fernando Cid, Cláudio Ciani, Marli Freitas, Carlinhos Presidente e Chiquinho da Ambulância, se eles buscaram o tempo todo abafar denúncias de irregularidades, derrubando CPIs e requerimentos de informação? De que serviu ao povo a atuação de Jorge Marote como presidente da Casa?

Com a palavra os mais de 500 mil eleitores iguaçuanos.


Alerta vermelho

Um passarinho verde do bico dourado bateu para a coluna que na quinta-feira a chapa esquentou na Prefeitura. Disse que o prefeito Lindberg Farias (PT) estava furioso com a chefe de gabinete, a dama-de-ferro Maria José Andrade e com o assessor Antonio Neiva. O descontentamento teria a ver com a campanha eleitoral.

Aliás, Lindberg tem reclamando muito de alguns membros do governo, dizendo que tem gente no primeiro escalão fazendo corpo mole.


Ingratidão

Por falar na campanha de Lindberg Farias para a reeleição, ele tem estendido a reclamação ao comportamento de alguns vereadores, gente que tem até 200 afilhados contratados através de cooperativas e outras boquinhas ricas no governo, mas que se nega a por em suas placas o nome do prefeito.


Bafafá

Fontes ligadas à seita do “bispo” Edir Macedo contam que mais um deputado-pastor teria “caído em desgraça” na Igreja Universal do Reino de Deus e que o chefão determinou o afastamento dele e proibido a prática de política nos templos da IURD, principalmente nos de Nova Iguaçu.


Casal divido

O ex-prefeito de São João de Meriti, Antonio Carvalho, declarou apoio ao candidato Marcelo Simão (PHS). Sua esposa, a ex-deputada Almerinda, está com Sandro Mattos (PR).


Dia de festa

A última quarta-feira foi marcada por uma grande queima de fogos em Magé. Era a prefeita Núbia Cozzolino (PMDB), comemorando a decisão do Supremo Tribunal Federal de só impugnar candidaturas do político que estiver condenado em última instância.


Pendurados

Apesar da decisão do Supremo Tribunal Federal a situação não é tranqüila para pelo menos 14 candidatos a prefeito. É que eles estão na lista negra do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Tribunal de Contas da União (TCU), com prestações de contas reprovadas por má gestão dos recursos públicos.




Empréstimo virtual, gasto real

Prefeitura de Nova Iguaçu contrata entidade para acompanhar

obras custeadas por empréstimo que ainda não foi liberado

Mesmo com um quadro efetivo de engenheiros e arquitetos, além de um elevado número de profissionais contratados, a Prefeitura de Nova Iguaçu, através da Secretaria de Cidade, contratou, sem licitação, o Núcleo Superior de Estudos Governamentais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o Nuseg. No valor de R$ 1.779.960,00, o contrato tem validade de 12 meses e foi assinado no dia 3 de julho, para implantação dos projetos, acompanhamento da execução das obras, elaboração de relatórios gerenciais e o apoio administrativo, contábil e financeiro do Programa de Urbanização Integrada do Município de Nova Iguaçu, a ser executado com recursos oriundos de contrato de financiamento a ser firmado com o Banco Interamericano e Desenvolvimento (BID).

“Tem coisa nisso aí. Desde 2005 que a Prefeitura vem pleiteando esse empréstimo internacional e nada foi liberado ainda. Agora é contratada uma instituição, sem licitação, para acompanhar o que não está sendo executado”, disse o vereador Celso Valentim.

Além de chamar a atenção do bloco de oposição na Câmara de Vereadores, o contrato revoltou os engenheiros do quadro efetivo da Prefeitura. “Além de sermos humilhados com um salário aviltado e com a contratação de profissionais trazidos de fora para ganhar dez vezes mais do que agente, agora somo obrigados a assistir mais esse absurdo. A Prefeitura contrata o Nuseg para fazer aquilo que nós mesmos poderíamos realizar”, desabafa um engenheiro com mais de 25 anos de carreira na Prefeitura.

O secretário Hélio Aleixo foi procurado para falar sobre o assunto, mas não retornou o contato. Na Prefeitura ninguém soube explicar o fato de o Nuseg ter sido contrato para acompanhar os projetos que seriam custeados por um recurso financeiro que ainda não foi liberado e que nem o próprio BID confirmou se será liberado ainda este ano.