Um dos braços da Cooperativa de Multiseviços Multiprof – que faturou mais de R$ 10 milhões na Prefeitura de Nova Iguaçu durante o (des) governo Lindberg Farias – a empresa Nutrimed Alimentação Industrial deve estar muito satisfeita com a prefeita Sheila Gama, que permitiu que o secretário de Educação, Jailson Souza, concluísse o nada transparente processo de licitação para o fornecimento de merenda aos 65 mil estudantes da municipal de ensino. Talvez essa licitação tenha sido um dos motivos que levaram Lindberg a insistir tanto para que Jailson fosse mantido no cargo.
Seria bom que a prefeita determinasse uma auditoria em todos os contratos firmados pela Prefeitura através da Secretaria de Educação, mas isso é querer demais, pois ela já deu sinais de que não quer criar constrangimentos para o ex-prefeito para não atrapalhar os planos políticos dele.
Dinheiro pode ter sido desviado para fazer fundo de campanha eleitoral para Lindberg Farias
O presidente do Instituto de Previdência do Município de Nova Iguaçu (Previni), Camilo Rodrigues Brás deverá receber, nos próximos dias, ofício do Ministério Público Estadual solicitando informações sobre a situação do órgão que, segundo Camilo afirmou em audiência pública na Câmara de Vereadores, tem um rombo de R$ 400 milhões, volume referente a dívida da Prefeitura com o instituto no período do governo de LIndberg Farias.
Ainda de acordo com Camilo, o Previni tinha R$ 52 milhões em caixa quando o Lindberg assumiu a Prefeitura, o que aconteceu no dia 1º de janeiro de 2005. Além de Camilo, também serão convocados para prestar informações o ex-presidente do instituto, Gustavo Falcão e o ex-secretário de Controle Interno, Ricardo Coelho, que saiu em defesa do ex-prefeito e afirmou que quando Farias assumiu teria encontrado uma dívida de R$ 321 milhões, o que é desmentido por Camilo.
A afirmação de Ricardo foi feita através de e-mail aos vereadores Carlinhos Presidente e Carlos Ferreira, ferrenhos defensores de Lindberg. Entretanto, a revelação está sendo vista apenas como manobra para mudar o foco das investigações, pois o mesmo Ricardo, no ano passado, em audiência na Câmara de Vereadores, chegou a afirmar que não havia dívida alguma na Prefeitura.
“Esses dois vereadores vão fazer de tudo para tumultuar as investigações. Ninguém acredita nas informações passadas por Ricardo, que já esteve nessa Casa e negou a existência de dívidas no governo. Ferreira e Carlinhos querem que a CPI apure a situação do Previni a partir de 1999. Acho que será ótimo, pois ficará comprovado que Ricardo está buscando apenas livrar a cara de Lindberg”, disse um vereador que integrava a bancada de sustentação do petista.
Fundo de Campanha
Para complicar ainda mais a situação do ex-prefeito, o vereador Thiago Portela descobriu recentemente que a Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), envolvida no escândalo do mensalão, investiu no Fundo de Previdência de Nova Iguaçu. A informação chegou depois que foi aberta a CPI da Previni. O blog teve acesso a duas atas de reuniões do comando da Bancoop, comprovando a ligação com o Previni
Portela disse que a suspeita é de que o desvio de recursos serviria para alimentar um esquema de caixa dois para o ex-prefeito Lindberg Farias, que é pré-candidato do PT ao Senado pelo Rio de Janeiro. Uma das formas de desviar o dinheiro seria o desconto da parcela nos contracheques dos servidores municipais e o não repasse para o Fundo de Previdência.
O reforço à tese de abastecimento ilícito da campanha do petista está no depoimento prestado pelo corretor Lúcio Funaro, na CPI montada pela Assembleia Legislativa de São Paulo para apurar a fraude na Bancoop. Ele disse aos parlamentares que a corrupção na cooperativa paulista teria, entre outros objetivos, o de bancar a disputa de Lindberg. O dinheiro, segundo Funaro, era repassado para José Dirceu, antes de chegar às mãos do prefeito do PT.
“A partir do momento em que o dinheiro foi investido na Bancoop e o presidente da cooperativa era o senhor Vaccari Neto, então, há a ligação de um grande esquema”, explica o presidente da CPI, Samuel Moreira,
João Vaccari Neto está licenciado da Bancoop e é secretário de Finanças do PT. Thiago Portela diz que é possível a convocação das pessoas envolvidas no esquema e do próprio Lindberg Farias.
Câmara foi conivente
De acordo com uma fonte ligada ao Ministério Público, vereadores e ex-vereadores também poderão ser chamados, pois em nenhum momento, desde que Lindberg foi empossado como prefeito a Câmara se interessou em saber da situação do Previni, mas muito pelo contrário, autorizou LIndberg a usar créditos de mais de R$ 140 milhões do órgão e ainda permitiu que o ex-prefeito empenhasse os repasses para garantir dívidas feitas por ele.
Durante a primeira gestão de LIndberg, período em que o maior volume da dívida foi contraído, eram vereadores Alexandre José Adriano, o Xandrinho, Carlinhos Presidente, Carlos Ferreira, Celso Florêncio, Celso Valentim, Chiquinho da Ambulância, Claudio Cianni, Daniel da Padaria, Diva Bastos, Fernando Cid, Fernando Baiano, José Mineiro, Jorge Marotte, Nagi Almawy, Marivaldo Amorim, Marcos Ribeiro, Marcos Rocha, Marcos Fernandes, Maurício Moraes, Fausto Azevedo e Rosangela Gomes. Apenas Celso Valentim e Marcos Ribeiro votaram contra os atos que comprometeram ainda mais a previdência dos servidores.
Prefeito e vereadores de Casimiro de Abreu alegam incerteza para não dar aumento ao funcionalismo
O prefeito Antonio Marcos Lemos e os nove vereadores de Casimiro de Abreu vão muito bem, obrigado. Eles não tem do que reclamar. Recebem bons salários no final do mês, empregam assessores também muito bem pagos, não tem gastos com transporte e ainda podem garantir mais algumas boquinhas. No caso do prefeito, a tranqüilidade é maior, pois tem mais espaço para espalhar seus parentes e garantir uma melhor renda familiar, mas os funcionários, os que realmente trabalham em favor da população, esses sofrem as dificuldades geradas pelos parcos rendimentos, ignorados pelo prefeito e pelos vereadores, que, na hora de definirem um aumento salarial, por menor que seja, apontam uma série de inconvenientes.
Mesmo com uma receita até três vezes maior que cidades com até cinco vezes mais moradores, a pequena Casimiro de Abreu não consegue as melhorias pretendidas pela população nem garantir salários mais dignos para os servidores municipais. Os professores, por exemplo, estão revoltados com o enganoso Plano de Cargos, Salários e Vencimentos do Magistério Publico Municipal, composto de números e artigos quem em vez de beneficiar a categoria acabaria prejudicando se fosse levado a efeito. Os professores querem aumento real, mas o prefeito, em vez do aumento, quer incorporar o abono pago atualmente ao salário, o que dá uma falsa impressão de ganho e esconde perdas. A proposta, além de não contemplar todos os profissionais do setor, ainda tira a gratificação de quem ficar fora da sala de aula, mesmo que por motivo de doença.
Os demais servidores já foram avisados de que só terão aumento quando forem definidas as regras da partilha dos royalties do pré-sal, quando na verdade a Prefeitura tem hoje todas as condições de garantir um salário melhor, pois recebeu, até o dia 30 de abril mais de R$ 22 milhões de repasses federais, sendo R$ 18 milhões dos royalties do petróleo, quase três vezes mais que o município de Guapimirim, que tem cerca de 50 mil habitantes e paga, em média, salários 23% superiores ao funcionalismo municipal.
Fazendo coro em defesa do prefeito os vereadores Ademilson Amaral, Alessandro Macabu, Adair Abreu, Luciano Nogueira, Marcos Miller, Paulo Roberto e João Medeiros, alegam que o plano de carreira dos professores precisa ser analisado com cautela, porque a realidade do município é diferente e que de nada adianta dar um aumento e não poder pagar depois. O problema, entendem os professores, é que o município tem muito bem como pagar.
Com dinheiro em caixa
Quem ouve o prefeito de Casimiro de Abreu falar em dificuldade acredita mesmo que o município está passando por uma grande crise econômica, o que não é verdade. Para o exercício deste ano ele tem um orçamento de R$ 160 milhões aprovado pela Câmara de Vereadores, que ainda concedeu a Antonio Marcos autorização para remanejar a metade dessa dotação para o programa de trabalho que bem desejar.
O prefeito que fala em crise recebeu do governo federal nos primeiros quatro meses de 2010 exatos R$ 22.050,835,55, bem mais que São Pedro da Aldeia, Rio Bonito, Itaguaí, Nilópolis, Seropédica, Guapimirim, Japeri, cidade muito maiores que Casimiro de Abreu, que conta com pouco mis de 30 mil habitantes.
Há 16 meses no cargo de prefeito, Antonio Marcos ainda não fez nada pela cidade que justificasse sua eleição. Em junho do ano passado, quanto completou seis meses no cargo, ele deu entrevista dizendo que estava arrumando a casa e que tinha cerca de R$ 20 milhões em caixa. Em dezembro ele voltou a falar que tinha dinheiro nos cofres e anunciou que começaria 2010 com grandes realizações, mas nada foi feito até agora, o que leva as lideranças locais a um indagação simples, mas direta: Onde está indo parar o dinheiro de Casimiro de Abreu?
Câmara de Porto Real ignora pedido de CPI contra vereador acusado de seqüestro de estupro e de vender três máquinas empilhadeiras roubadas
Que trunfo o vereador Heitor Silvestre da Silva (DEM) teria contra seus colegas de bancada para ser tão protegido, a ponto de eles se posicionarem contra a opinião publica, ignorando o pedido de investigação proposto para apurar as responsabilidades de Heitor nos crimes de agressão, ameaça, sequestro, cárcere privado e estupro contra uma jovem de 24 anos, pelos quais ele responde no Tribunal de Justiça?
Esse questionamento começou a ser feito na semana passada, depois que os vereadores Jayme da Silva Pereira, João de Sousa Gomes, Luis Fernando Graciani e Rafael de Carvalho Lima decidiram “sentar” sobre o pedido de CPI apresentado por um morador e subscrito pelos vereadores Bianca Sampaio, Cacilda Serfiot, José Roberto Pereira e Mauro Ethore. O pedido era para ter sido lido durante a sessão do dia 26 de abril, mas o vereador José Roberto foi impedido de fazê-lo. Esperou-se que isso ocorresse na dia 28, mas nenhum membro da mesa diretora apareceu para abrir a sessão.
“O presidente está desrespeitando o regimento interno. Ele deveria ter determinado a leitura do pedido e logo em seguida formado a comissão de investigação. O comportamento adotado pela mesa diretora é de proteção, quando a Casa deveria investigar, até para se preservar”, entende o vereador José Roberto.
Desde o dia 19 de julho do ano passado, quando uma jovem de 24 anos procurou a polícia e o Ministério Público para denunciar o vereador, que Heitor Silvestre vem sendo protegido pelos membros da mesa diretora. A Casa tem nove vereadores e, contando com o dele próprio, Silvestre tem cinco votos, o que, além de livrá-lo de maiores problemas, lhe garantiu a presidência da Câmara para o biênio 2010/2011.
“Esses vereadores envergonham a nossa cidade. Ninguém aqui quer crucificar o Heitor. Buscamos justiça. O que queremos é que a Câmara abra a comissão de inquérito, pois esse homem, além da violência contra uma moça de 24 anos, também está sendo acusado de vender três empilhadeiras roubadas. Não creio que uma pessoa assim tenha condições morais para nos representar como vereador. Acho que a Câmara deveria tê-lo afastado até que o Tribunal de Justiça conclua o processo, mas pelo que estamos vendo isso não vai acontecer mesmo que ele venha a ser condenado”, enfatiza uma professora que desde que o caso do estupro foi divulgado nunca deixou de assistir uma sessão da Câmara.