A polêmica prefeita de Magé, Núbia Cozzolino está forçando uma barra danada para ser colocada para fora do PMDB. Se ela fosse mais esperta ficaria quietinha, pois tramitam no Tribunal de Justiça pelo menos 20 pedidos de intervenção no município por conta do não cumprimento de sentenças judiciais e não seria nada confortável para ela bater de frente com o governador Sérgio Cabral.
Aliás, os advogados da prefeita deveriam orientá-la melhor sobre os processos onde a Justiça determina que ela pague o que os servidores têm direito, pois, juntos, alguns deles passam de R$ 5 milhões, tudo por causa dessa mania que a prefeita tem de não pagar o que deve aos funcionários.
Unha encravada
E por falar em Núbia Cozzolino, ela tem um problemão em sua vida. Trata-se de Thiago Thoshiro, seu ex-chefe de gabinete. Contam lá pelas bandas de Magé que o cara é um furacão. Por onde passa deixa um imenso rastro de destruição.
Ainda sobre ela
Tem gente aconselhando Núbia a deixar a prefeitura em março e disputar um mandato parlamentar. Há quem ache perigoso ela ficar sem mandato depois que o atual terminar.
De novo
Voz corrente em Magé: “Quem tem os irmãos que Núbia tem não precisa de inimigo”. A turma é mesmo da pesada. Sem falar nos agregados.
Informações do gabinete do prefeito de Nova Iguaçu dão conta de que, além de Marcos Souza, o inoperante secretário de Saúde, a secretária adjunta, Virginia Almeida, responsável pelo setor de Recursos Humanos, pode cair a qualquer momento.
Três vezes prefeito de Macaé, o deputado federal Silvio Lopes já avisou que vai pendurar as chuteiras. Não disputará mais nenhuma eleição. No máximo apoiará os filhos Glauco e Silvinho.
Outro que também deverá sair do cenário é o ex-prefeito de Guapimirim e de Magé, Nelson Costa Mello, o Nelson do Posto. Atualmente ele ajuda o sobrinho Júnior a governar, mas depois disso promete descansar.
Secretário admite caos na Saúde em Nova Iguaçu, mas não faz nada para melhorar.
“Não me responsabilizo pelo que encontrei.” A afirmação foi feita pelo secretário de Saúde, Marcos Souza durante audiência pública realizada pela Câmara de Vereadores na última quarta-feira, da qual participaram ainda as secretárias adjuntas Maria de Lourdes Oliveira Moura, Adriana Gutierrez e o secretário adjunto, Carlos Laranjeiras, que nada esclareceram sobre o caos verificado na rede pública do município.
A frase de Marcos - em resposta aos questionamentos sobre o atraso dos pagamentos a clínicas e laboratórios conveniados – irritou a vereadora Marli de Freitas, que foi secretária de Saúde durante 18 meses e já em sua gestão essas dívidas existiam. “Incrível com em um ano e meio destruíram todo o meu trabalho”, disse Marli, esquecendo-se de que os problemas verificados hoje no setor são os mesmos de sua gestão, que está sendo investigada pela Polícia Federal. Um dos fatos investigados é a compra de R$ 1,8 milhão em receituários adquiridos da empresa Lastro, que não teria chegado aos postos de atendimento.
Embora já tenha consumido mais de R$ 600 milhões nos últimos cinco anos, o setor de Saúde de Nova Iguaçu está em estado de agonia. A secretária já teve seis titulares e deverá conhecer o sétimo nos próximos dias, pois informações do gabinete do prefeito Lindberg Farias dão conta de que Marcos Souza poderá ser demitido ainda essa semana.
Durante a audiência o secretário admitiu que “a situação é gravíssima”, que falta material gráfico e que os médicos, muitas vezes, não têm como passar receita. Já a responsável pelo funcionamento dos PSFs, a funcionária da FioCruz, Adriana Guitierrez, disse que não conhece todos os postos. Moradora do centro do Rio, ela disse ainda que a Fundação não sabe qual é o perfil da cidade para adequar os PSFs.
As 10 horas de duração da audiência pública serviram apenas para confirmar o que todos já sabiam, inclusive os vereadores, que conhecem a realidade do setor, mas nunca deram um passo no sentido de fiscalizar as ações da Secretaria Municipal de Saúde. “Falta médicos e medicamentos nos postos, é difícil a marcação e realização de exames e cirurgias eletivas, o pagamento de fornecedores e clínicas conveniadas está atrasado. Sem falar no Hospital da Posse, que apesar de contar com dois mil funcionários, não é raro ter apenas um médico atendendo no setor de emergência”, listou o vereador Anderson Santos.
Farra das cooperativas continua
Embora a Justiça Federal tenha determinado a suspensão dos pagamentos à cooperativa Captar Cooper, a instituição continua faturando alto no município. Enquanto médicos concursados ganham apenas R$ 800 mensais, apadrinhados de políticos aliados ao prefeito Lindberg Farias contratados através da cooperativa chegam a ganhar mais que o dobro.
É o caso, por exemplo, de uma sobrinha e uma cunhada do deputado licenciado e secretário de Obras, Walney Rocha, lotadas no Centro de Saúde Vasco Barcelos. Elas não possuem nenhuma qualificação profissional na área, mas ganham R$ 1.800,00 cada uma. As duas estão no setor de vacinação, onde existem apenas duas cadeiras e cinco servidores que ganham mais do que os médicos aprovados em concurso.
Os tentáculos de Walney Rocha também alcançaram o posto da localidade de Miguel Couto, onde ele tem alguns apadrinhados contratados através da Captar Cooper. Nessa unidade trabalham ainda pessoas indicadas pelos vereadores Marli de Freitas e Carlinhos Presidente. Apesar da decisão judicial proferida em relação a um contrato de R$ 43 milhões feito em 2006 sem licitação e renovado outras três vezes, em janeiro deste ano a prefeitura voltou a contratar a cooperativa, que passou a receber R$ 3.067.907,05
Contratos questionados
O contrato que gerou a ação judicial contra a prefeitura foi assinado em 2006 e tinha o valor inicial R$ 43.415.281,20. Esse contrato também foi firmado emergencialmente pela Secretaria de Saúde e foi renovado duas vezes, sendo que o questionamento judicial foi sobre o segundo termo aditivo, que renovou o contrato por mais um ano. A renovação foi assinada por Henrique Johnson Buarque que ainda não era secretário quando o fez. O documento foi assinado no dia 21 de janeiro de do ano passado ano, um dia antes de Henrique Johnson assumir o cargo.
Além do novo contrato com a Captar, este ano a prefeitura fez outro sem licitação, no total de R$ 3.016.816,73, com a empresa Imunitec, controlada pela família do vereador Fernando Nagi, da bancada de sustentação do prefeito.Ainda sem licitação a prefeitura renovou um contrato de mais de R$ 13 milhões com a Empresa Iguaçuana de Manutenção e Serviços (Eims). Também foi feito um terceiro contrato com a Multiprof – Cooperativa Multiprofissional de Serviços, no valor total de R$ 3.627.624,00, para a prestação de serviços de limpeza de cozinha e preparo da merenda nas escolas da rede municipal de ensino.
Acompanho as ações na Câmara de Vereadores de Nova Iguaçu há muito tempo e a postura dos vereadores sempre foi de aceitar tudo que vem do governo Lindberg Farias. Na gestão passada, eles tiveram a chance de afastar o prefeito logo nos primeiros seis meses de governo quando as irregularidades eram enormes. Optaram por negociar o que levou à população mais pobre de Nova Iguaçu a enfrentar sérios problemas.
A omissão do grupo de vereadores da época, em que se inclui o atual presidente Marcos Fernandes, ajudou a fechar a Associação de Caridade Hospital Iguaçu para atendimento pelo SUS, a perder a clínica de doentes renais Dom Bosco, a ver os pacientes de hemodiálise terem que se descolar até Jacarepaguá para receber atendimento. Grávidas perderam seus filhos por não ter onde fazer pré-natal nem maternidades apropriadas. Cinco pessoas morreram de dengue em função da falta de combate e do mal atendimento nas unidades de Saúde.
Os vereadores ajudaram a fechar uma casa abrigo para menores vítimas de violência sem ao menos ler o projeto. Os mesmos vereadores se calaram enquanto o Hospital da Posse era praticamente destruído. Se calaram quando pessoas portadoras de doenças crônicas morreram por falta de medicamento. Se calaram quando laboratórios e clínicas fecharam por falta de pagamento. O grupo atual entrou negando o orçamento que Lindberg queria, falando na independência dos poderes, mas aceitou os cargos oferecidos e mais uma vez se calou.
Quando Lindberg passou a demitir os ocupantes de cargos comissionados ligados a eles, cortou salários de apadrinhados e deu as costas para Câmara, eles, de repente, como passe de mágica, convocam técnicos da Saúde para audiência pública. Esse grupo não engana mais ninguém. Sabemos onde querem chegar. Sabemos que basta o prefeito abanar com mais cargos e mordomias que eles voltam a esquecer o direito do povo.
O que se viu na Câmara na última quarta-feira foi mais um teatro. Logo, os depoimentos estarão esquecidos e eles vão voltar a pose de bons moços e defensores da moralidade. Tenho vergonha desse grupo, mas sei que seus futuros políticos estão comprometidos. Com certeza, com a saída de Lindberg muita coisa vai mudar e esse grupo pode perder a pose.