quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Um prefeito nota zero

Moradores de Casimiro de Abreu protestam contra abandono

e reprovam Antonio Marcos.

Segundo a propaganda oficial da prefeitura veiculada numa emissora de televisão, Casimiro de Abreu “é o melhor lugar do mundo para viver”. Entretanto, os moradores não concordam com isso e vem protestando contra o que chamam de “estado de abandono”, imposto, segundo eles, pela administração municipal. Na última quarta-feira foi feita uma manifestação pública no centro da cidade para chamar a atenção para os problemas que afligem a população, que tem mostrado grande rejeição ao jeito adotado pelo prefeito Antonio Marcos para governar. “Nossa cidade está completamente abandonada. Temos uma péssima administração”, afirmou a dona-de-casa Claudineia Cabral Rosa, que deu “nota zero” para o prefeito. “Infelizmente não temos como tirá-lo do cargo”, emendou o desempregado José Maurício de Souza.

Basta caminhar um pouco pelo centro de Casimiro de Abreu conversar com moradores e comerciantes para se constatar o alto grau de rejeição ao prefeito Antonio Marcos, que está a apenas sete meses e 19 dias no cargo, mas já é apontado como um péssimo gestor. “Ele esteve em minha casa. Conversou comigo em minha cozinha e disse que faria tudo diferente, que mudaria a nossa cidade, mas infelizmente está fazendo tudo ao contrário. Vem usando os mesmos métodos que criticava quando era vereador”, disse Márcio Farias da Silva, que também vê em Antonio Marcos um “péssimo” prefeito. “Votei nele, mas estou muito arrependido”, completou.

Mudança para pior

Para o morador Joelson Pires Soares a cidade nunca esteve tal mal. “A gente vai ao hospital municipal, passa horas esperando. O médico nos atende e receita um remédio, mas a gente nunca encontra o medicamento na farmácia municipal. Esse prefeito está maltratando a população. Onde está a mudança que ele prometeu na campanha? A cidade está mudando mesmo, mas para pior. Esse moço nos enganou direitinho”, disse Joelson.

Jaime de Souza é outro revoltado com a situação. “Nem dipirona a gente acha nos postos de saúde. Isso é uma vergonha moço”, afirma. Com Jaime faz coro Jorge Batista, que manda um recado a Antonio Marcos: “prefeito, trabalhe por nossa cidade, cuide dos interesses de nossa gente”.

Embora esteja há pouco mais de seis meses no cargo, o prefeito Antonio Marcos é criticado por todas as classes sociais. “Normalmente as pessoas esperam um pouco mais antes de apontar os erros de um político há pouco tempo no mandato, mas esse rapaz está sendo um fenômeno de rejeição. Ele não acerta uma”, falou um advogado.

De acordo com o morador Platão de Paula Matheus o prefeito está fazendo tudo errado. “Se tivesse uma nota abaixo de zero eu daria para ele. Está indo muito mal”, disparou Platão, enquanto Jorge Gomes de Oliveira lamenta que o mandato de Antonio Marcos esteja apenas começando.


Metendo a mão no dízimo

Justiça recebe denúncia contra Edir Macedo e mais nove integrantes da Igreja Universal por formação de quadrilha.

A Justiça paulista acatou denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo com base em investigação feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) contra o bispo Edir Macedo e mais nove integrantes da Igreja Universal do Reino de Deus, acusados dos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Além de Edir Macedo, foi instaurada ação criminal contra os bispos Alba Maria da Costa, Edilson da Conceição Gonzales, Honorilton Gonçalves da Costa, Jerônimo Alves Ferreira, João Batista Ramos da Silva, João Luís Dutra Leite, Maurício Albuquerque e Silva, Osvaldo Scriollli e Veríssimo de Jesus.

Segundo o levantamento feito pelo Ministério Público e pela Polícia Civil, as fraudes vinham sendo praticadas há pelo menos dez anos. Os acusados usavam dinheiro de doações dos fiéis para benefício próprio. A investigação constatou que a movimentação chega a R$ 1,4 bilhão por ano em dízimos coletados em 4,5 mil templos em 1,5 mil cidades do país. Só no período de 2003 a 2008, os depósitos para a Igreja Universal do Reino de Deus alcançaram R$ 3,9 bilhões.

Segundo explicação do Ministério Público, os líderes religiosos consumiam grande parte das pregações com a defesa da coleta dos dízimos, argumentando que os recursos seriam necessários para a compra de óleos santos de Israel, para o financiamento de novos templos e para custeio das transmissões de cultos e mensagens religiosas em emissoras de rádio e televisão.

Empresas de fachada

Para facilitar a arrecadação, eram recebidos valores por meio de cheques, além de doações de bens como carros. Entre as irregularidades constatadas na investigação estão a abertura de empresas de fachada e o envio ilegal de dinheiro para o exterior. Os acusados também procuraram se favorecer da imunidade tributária concedida pela Constituição Federal aos templos religiosos. Eles investiam os valores destinados à Igreja Universal, sobre o qual não incidia a cobrança tributária, na aquisição de bens particulares entre os quais imóveis, veículos e joias.

Os recursos obtidos por meio de doações eram aplicados em duas empresas de fachada: a Unimetro Empreendimentos S/A e a Cremo Empreendimentos S/A., ambas encarregadas do esquema de envio de dinheiro para o exterior. As remessas iam para contas nos chamados paraísos fiscais, em que os favorecidos têm vantagens como sigilo e baixo custo de movimentação.

Depois esses valores retornavam ao país na forma de contratos que permitiam a legalização do uso do dinheiro na compra de empresas de comunicação. Em 2004 e 2005, essas empresas movimentaram em torno de R$ 71 milhões.

De acordo com a assessoria de imprensa da Igreja Universal, por enquanto, os dirigentes da instituição não vão se pronunciar sobre o recebimento da denúncia pela Justiça de São Paulo.



domingo, 9 de agosto de 2009

E ele ainda quer ser governador

Má gestão de Lindberg deixa Nova Iguaçu no buraco.

Ele que ser governador do estado, mas afundou em dívidas o município que administra desde janeiro de 2005, comprometendo as finanças públicas por pelo menos 25 anos. Trata-se de Luiz Lindberg Farias Filho, prefeito de Nova Iguaçu, que tem percorrido o interior como pré-candidato ao governo do estado, deixando para trás uma cidade com dezenas de obras paradas, o setor de Saúde falido e dívidas estimadas em mais de R$ 500 milhões.

Apontado como “o pior prefeito que Nova Iguaçu já teve” e o mais processado da história do município, Lindberg tem uma gestão marcada por escândalos e denúncias de corrupção, casos que lhe conferem mais de 400 processos judiciais e inquéritos civis públicos, inclusive por fraude em licitação. Mesmo assim ele continua “peitando” a direção do partido, que defende a permanência da aliança com o governador Sérgio Cabral (PMDB).

“Lindberg está se antecipando. O PT só vai se pronunciar em fevereiro, mas o entendimento hoje é pela aliança com o PMDB em apoio a Sérgio Cabral. Também não garantimos uma candidatura ao Senado. Se Lindberg quiser ser candidato a deputado federal, com certeza terá vaga garantida, pois poderá ser o nosso puxador de legenda. A governador ou senador é outra história”, disse um petista com assento no comando estadual.

Propaganda enganosa


Divulgado como maior programa educacional de todos os tempos, o Bairro-Escola, pelo qual as crianças ficariam nas escolas em tempo integral, só funciona mesmo na propaganda do governo. “É uma grande farsa. O programa não funciona. Como os alunos podem ficar o dia todo nas escolas se ele não construiu um colégio sequer nesses cinco anos de administração. Dizer que o programa funciona é chamar as pessoas de idiotas. Desde que foi implantado o Bairro Escola só funcionou no bairro Miguel Couto, mesmo assim precariamente e em pouquíssimas unidades’, diz a professora Angela Maria de Souza.

Há quase seis anos no comando do município, Lindberg iniciou obras de reformas em várias escolas e não concluiu nenhuma delas. Começou, há dois anos, no bairro Prata, construir o único colégio projetado em sua gestão, mas as obras estão interrompidas desde julho do ano passado.

Dívidas, a marca do governo


Só ao Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Nova Iguaçu (Previni), a gestão de Lindberg Farias deve cerca de R$ 200 milhões. Nos últimos cinco anos aumentaram bastante as dívidas da Companhia de Desenvolvimento de Nova Iguaçu (Codeni) e da Empresa Municipal de Limpeza Urbana (Emlurb). O Hospital da Posse já deve mais de R$ 40 milhões, sem contar os débitos que a prefeitura tem com as empreiteiras.

“A situação do município hoje é de penúria. Não há dinheiro para nada e algumas receitas estão penhoradas em favor de bancos que anteciparam créditos para a prefeitura. A verdade é que, quando sair para disputar algum cargo eletivo em 2010, Lindberg estará deixando o município ingovernável”, disse uma fonte do próprio governo.





Moradores de Magé e Guapimirim querem menos pedágio na Rio-Teresópolis

O comerciante José Roberto dos Santos mora em no bairro Citrolândia, na parte que pertence ao município de Guapimirim, mas é no centro de Magé que ele vai pelo menos uma vez por semana pagar os boletos bancários.

Sem poder contar com ônibus, é no velho Fusca que ele se locomove e toda vez que vai ao banco é obrigado a pagar R$ 10,80 de pedágio na praça intermediária da Concessionária Rio-Teresópolis (CRT), instalada em Santo Aleixo.

A mesma situação vive o pequeno produtor rural Gerson Mota, que mora no Parque Bonevile e tem de passar por outra praça intermediária da CRT em Santa Guilhermina. Os dois fazem coro contra a cobrança que consideram abusiva.

Com cerca de 280 mil habitantes, o município de Magé é uma ilha cercada de pedágios por todos os lados. Isso acontece desde que o consórcio CRT foi formado pelas empresas Construtora OAS, Carioca Christiani-Nielsen Engenharia, Strata Concessões (Grupo EIT) e Queiroz Galvão Participações e Concessões passou a administrar, em março de 1996, um trecho de 142 quilômetros da BR-116.

Ao todo são três praças de cobrança dentro do município de Magé. A principal fica em Piabetá, na altura do km 133,5, onde o motorista de um carro de passeio paga uma tarifa de R$7,70. A segunda, auxiliar, está no KM 122, em Santa Guilhermina. A tarifa para os veículos pequenos é de R$ 5,40, a mesma cobrada na terceira praça, também auxiliar, localizada no km 114, em Santo Aleixo.





“Se arrependimento matasse...”

População de Casimiro de Abreu está

revoltada com o caos

na Saúde.

“Se arrependimento matasse eu já estaria morta. Votei nesse homem, pedi votos para ele porque acreditava nas promessas de mudança. As coisas mudaram para pior. A vontade que tenho é de ir lá no gabinete dele e obrigá-lo a atender o povo”. O desabafo é de Leda de Souza, moradora do município, que está revoltada com a falta de ações da administração municipal, principalmente com o caos verificado no setor de Saúde.

Leda depende de medicamentos de uso contínuo, mas está sendo obrigada a cobrar os remédios, simplesmente porque não consegue encontrá-los nas unidades administradas pela prefeitura. Na semana passada ela foi a um posto tentar fazer um exame de sangue, mas não conseguiu. Disseram a ela que a funcionária responsável pela coleta do material não havia ido trabalhar. A revolta da moradora foi externada na última quarta-feira através da Rádio Litoral AM.

A história revelada por Leda é semelhante a de milhares de moradores da cidade. Gente humilde que vê as ambulâncias circulando de baixo para cima, mas que quando depende de uma para ser socorrida é informada de que elas estão quebradas. “Estão brincando com coisa séria. A Saúde vai de mal a pior e não vemos ninguém fazer nada para melhorar”, desabafa uma dona de casa que na última quarta-feira esteve no hospital municipal e saiu de lá sem ser atendida.



Sem ação


Há sete meses de 12 dias no cargo, o prefeito Antonio Marcos Lemos, entendem algumas lideranças comunitárias locais, parece que ainda não se deu conta de que venceu a eleição e a ele foi dada a responsabilidade de governar o município. “A cidade está parada. Não vemos nada acontecendo e o pior é que o prefeito não atende ao povo, não dá uma resposta a sociedade. O que está sendo feito com o setor de Saúde é um absurdo”, dispara Carlos Alberto da Silva, morador da localidade de Rio Dourado.

O descontentamento também atinge a equipe de governo escolhida pelo prefeito e o secretário de Saúde, Evaldo Scarpini, um policial militar reformado, é um dos mais criticados. “Acho que o prefeito deveria nomear um médico para comandar a rede de Saúde. Se ele quer um militar no governo que o nomeie para a guarda municipal ou crie uma pasta de Segurança para ele. O que um policial militar entende de Saúde?”, indaga um comerciante estabelecido no centro da cidade.



Licitação cancelada


O prefeito Antonio Marcos Lemos decidiu cancelar a licitação marcada para o último dia 7, quando seriam abertos os envelopes com as propostas para a construção de uma ponte na Estrada CA-7, na localidade de Visconde. O cancelamento ocorreu depois que o vereador Alex Neves denunciou que a obra já estaria pronta, juntamente com outras duas pontes. A denúncia foi protocolada na Promotoria de Tutela Coletiva, em Macaé. “Essa obra estava pronta há pelo menos três meses”, afirmou o vereador.

O edital foi publicado na edição do dia 16 de julho do jornal oficial da prefeitura. A informação de que o cancelamento foi feito para que se fizesse uma retificação. O vereador Alex Neves agora está atento para ver se não irá surgir publicação com data retroativa, para regularizar o processo de construção da ponte.

O prefeito Antônio Marcos e o secretário municipal de Obras, Luiz Augusto, ainda não se pronunciaram sobre o assunto e a assessoria de imprensa da prefeitura não tem retornado os contatos do jornal com questionamentos sobre o caso.