Pois é, por quatro votos a três os jurados decidiram absolver o cabo da Polícia Militar William de Paula, acusado de matar o menino João Roberto, de três anos. Ele se livrou da acusação de homicídio doloso e foi condenado a apenas sete meses em regime aberto por lesão corporal leve, sentença que revoltou toda a sociedade e deixou os pais do menino desanimados com a Justiça. O casal Alessandra e Paulo Roberto queixa-se ainda do “desinteresse e a falta de atenção de integrantes do júri na apresentação das provas e depoimentos das testemunhas” e depois concordaram com a tese da defesa do policial, que alegou que o cano William agiu no “estrito cumprimento do dever” e que por isso não poderia ser penalizado. Quantos inocentes ainda terão de morrer para que a nossa polícia aprenda a trabalhar direito? Quando os que comandam essa corporação vão entender que a vida deve ser preservada, que quando o confronto por inocentes em risco deve ser evitado?
Secretário de Saúde em Nova Iguaçu, o deputado Walney Rocha (PDT), deveria pedir o boné e ir embora, de preferência para bem longe do município que ele diz representar. Falo isso pela sua incapacidade de resolver os problemas do setor que nunca recebeu tanto dinheiro como nos últimos quatro anos, mas que só fez piorar o atendimento.
Há uns 15 dias Walney se reuniu com os representantes das clínicas conveniadas que prestam serviços através do Sistema Único de Saúde e deveriam receber mensalmente por isso, já que todos os meses o governo federal faz o repasse de verba específica para essa finalidade, dinheiro que não pode ser aplicado em outra coisa que não seja a cobertura dos gastos com esse serviço. Walney prometeu que depositaria o pagamento de pelo menos de um mês na segunda-feira e mais uma parcela dois dias depois. Você fez isso? Ele também não.
Nessa quinta-feira o Hospital da Associação de Caridade Iguaçu fechou parcialmente suas portas, porque não há mais como funcionar sem o pagamento. Os funcionários estão sem salários e tem faltado até os materiais mais básicos, porque essa gente que brinca de administrar o município se acha no direito de não pagar o que deve.
Secretário, pelo menos dessa vez preste o serviço ao município, saia do cargo e volte para seu gabinete na Assembléia Legislativa.
Nepotismo
E por falar em Walney Rocha, ele não está Nei ai para aquela decisão do Supremo Tribunal Federal que proíbe a prática do nepotismo. Continua mantendo em cargos comissionados na Secretaria Municipal de Saúde de Nova Iguaçu pelo menos uma irmã e um primo.
Com ressalvas
A Justiça Eleitoral aprovou as contas de campanha do prefeito reeleito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT). Fez apenas algumas “ressalvas”. O PMDB deverá recorrer, pois vê indícios de irregularidades nos gastos e na arrecadação de fundos.
O ano já está indo para o beleleu e seu final é marcado pela crise financeira que afeta o mundo e inteiro. Aqui no nosso paísinho de m... a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a proposta de emenda à Constituição que aumenta em seis mil o número de vereadores, garantindo mais boquinhas e outras coisinhas mais aos “nobres representantes do povo”. Tem mais: políticos eleitos e reeleitos começaram a ser diplomados e muitos deles, em vez de um mandato eletivo, deveriam estar recebendo um mandado de prisão.
Deixa isso pra lá. Isso aqui é Brasil.
Para complicar ainda mais esse tal de Copon decidiu manter a política de juros os altos e o cacique do Banco Central, Henrique Meireles – aquele que passa alguns minutos fingindo trabalhar para o Brasil e 24 horas atuando, de verdade, em favor dos bancos – vai fazendo o que bem entende, mostrando que manda mais que presidente Lula e todos os ministros juntos. Porém, para marcar ainda mais a semana, a Justiça do Rio decidiu absolver o policial militar que matou o menino João Hélio, metralhando o carro da família. Mas não liga não. Daqui a pouco é carnaval e o povo vai sair cantando os sambas enredo e não estará nem aí para a Hora do Brasil.
Quando a gente pensa que já viu de tudo se surpreende mais uma vez com as peripécias do prefeito Lindberg Farias. Depois de fazer um super decreto dando total poderes a Tuninho da Padaria e, por tabela, ao deputado federal Rogério Lisboa, Lindberg cria uma secretaria de Articulação Política, também por decreto. No mesmo ato, nomeia como secretário, Lourival Casulo. O nome pode ser estranho para os iguaçuanos comuns mas não é para o pessoal do PT. Casulo já foi presidente do PT municipal e agora é o nome para assumir a presidência estadual do partido.
Para quem sabe ler nas entrelinhas, Lindberg está dividindo mais ainda o poder já tão dividido na Prefeitura. Casulo, (pelo menos por hora), será responsável por articular a política na cidade. Mas, antes terá que ser apresentado a um por um dos vereadores às lideranças que, na maioria, nunca ouviu falar dele. Esse trabalho já estava sendo feito por Tuninho que já vinha conversando com os vereadores e articulando espaços e a presidência da Câmara. Será que essas lideranças vão confiar nesse desconhecido?
A Educação já estava por conta da primeira dama, Maria Antonia Goulart e a Saúde nas mãos de Walney Rocha, por tabela, Aluísio e Sheila Gama. Sobrou para Tuninho, Obras, Codeni e Emlurb. No entanto, um fato novo, piorou ainda mais a divisão de poder na Prefeitura. Tuninho teria discutido violentamente com Maria Antonia o que fez Lindberg sair do casulo (sem trocadilhos), para defender a mulher. Depois da interferência de Lindberg, Tuninho parou de ir a Prefeitura diariamente como vinha fazendo desde a publicação do decreto.
Dizem por ai que isso é uma estratégia de Lindberg. Mas, olhando de fora, nos parece uma grande confusão onde todo mundo manda mas ninguém tem poder, nem o próprio prefeito já que, volta e meia, precisa voltar atrás em decisões importantes. Se isso tem dado certo para ele, já que se elegeu com folga, não tem sido lá muito bom para a cidade que está atolada em dívidas. Mas, uma coisa é certa. Lindberg já tentou se livrar de Tuninho e Rogério outras vezes e só se enrolou ainda mais. Vamos ver onde isso tudo vai parar.
Dizem que um político carismático, de grandes ações e comprometido com o povo consegue eleger até mesmo um “poste”. Posso afirmar que é verdade, pois presenciei isso em quatro situações. Conheço esse político há 22 anos. Trata-se de Nelson Costa Mello, mais conhecido como Nelson do Posto.A primeira eleição por ele disputada foi em 1988. Elegeu-se vereador em Magé pelo PL, onde representou os moradores de Guapimirim, então terceiro distrito daquele município. Dois anos depois, ainda no PL, Nelson tentou uma vaga de deputado estadual e perdeu a disputa por uma diferença de apenas 174 votos.
Veio a emancipação de Guapimirim e ele foi eleito prefeito. Isso aconteceu em 1992 e pode-se dizer que Nelson foi o primeiro a ser reeleito, mesmo a reeleição não existindo na época. É que no dia 31 de março de 1996 ele renunciou o mandato de prefeito e foi para Magé. Elegeu-se, tirando do poder uma família que desde 1982 governava o município. Nelson governou até 31 de dezembro de 2000 e dois anos depois elegeu-se deputado estadual. Ficou na Assembléia Legislativa até 2004, de onde saiu para voltar à Prefeitura de Guapimirim.
O primeiro “poste” eleito por Nelson foi seu irmão Renato, que também adotou o “do Posto” como sobrenome. Nelson mandou ele para a Assembléia Legislativa em 1994. O homem apresentou emendas orçamentárias que garantiram melhorias para muitas cidades, mas verdade seja dita: entrava mudo e saia calado do plenário. Os “milagres” de Nelson não pararam por ai: em 1998 ele elegeu mais um “poste”, o sobrinho Júnior do Posto e também mandou para a Alerj a sobrinha Renata em 2006.
Porém, a maior prova de que o homem é mesmo bom de voto aconteceu este ano. Sua candidatura a reeleição foi impugnada 48 horas antes do pleito e ele não perdeu tempo. Dentro do que a lei permite ele foi substituído pelo sobrinho Júnior que, graças ao peso do nome do tio, foi eleito com mais de 70% dos votos apurados.
Os eleitos pelo prestígio do homem podem até não gostar de ouvir a verdade, mas eles sem Nelson são nada. Não conseguiriam vencer eleição nem para presidente de associação de moradores.