quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Samba do paraíba doido

Quando a gente pensa que já viu de tudo se surpreende mais uma vez com as peripécias do prefeito Lindberg Farias. Depois de fazer um super decreto dando total poderes a Tuninho da Padaria e, por tabela, ao deputado federal Rogério Lisboa, Lindberg cria uma secretaria de Articulação Política, também por decreto. No mesmo ato, nomeia como secretário, Lourival Casulo. O nome pode ser estranho para os iguaçuanos comuns mas não é para o pessoal do PT. Casulo já foi presidente do PT municipal e agora é o nome para assumir a presidência estadual do partido.

Para quem sabe ler nas entrelinhas, Lindberg está dividindo mais ainda o poder já tão dividido na Prefeitura. Casulo, (pelo menos por hora), será responsável por articular a política na cidade. Mas, antes terá que ser apresentado a um por um dos vereadores às lideranças que, na maioria, nunca ouviu falar dele. Esse trabalho já estava sendo feito por Tuninho que já vinha conversando com os vereadores e articulando espaços e a presidência da Câmara. Será que essas lideranças vão confiar nesse desconhecido?

A Educação já estava por conta da primeira dama, Maria Antonia Goulart e a Saúde nas mãos de Walney Rocha, por tabela, Aluísio e Sheila Gama. Sobrou para Tuninho, Obras, Codeni e Emlurb. No entanto, um fato novo, piorou ainda mais a divisão de poder na Prefeitura. Tuninho teria discutido violentamente com Maria Antonia o que fez Lindberg sair do casulo (sem trocadilhos), para defender a mulher. Depois da interferência de Lindberg, Tuninho parou de ir a Prefeitura diariamente como vinha fazendo desde a publicação do decreto.

Dizem por ai que isso é uma estratégia de Lindberg. Mas, olhando de fora, nos parece uma grande confusão onde todo mundo manda mas ninguém tem poder, nem o próprio prefeito já que, volta e meia, precisa voltar atrás em decisões importantes. Se isso tem dado certo para ele, já que se elegeu com folga, não tem sido lá muito bom para a cidade que está atolada em dívidas. Mas, uma coisa é certa. Lindberg já tentou se livrar de Tuninho e Rogério outras vezes e só se enrolou ainda mais. Vamos ver onde isso tudo vai parar.





quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Um milagreiro chamado Nelson do Posto

Dizem que um político carismático, de grandes ações e comprometido com o povo consegue eleger até mesmo um “poste”. Posso afirmar que é verdade, pois presenciei isso em quatro situações. Conheço esse político há 22 anos. Trata-se de Nelson Costa Mello, mais conhecido como Nelson do Posto. A primeira eleição por ele disputada foi em 1988. Elegeu-se vereador em Magé pelo PL, onde representou os moradores de Guapimirim, então terceiro distrito daquele município. Dois anos depois, ainda no PL, Nelson tentou uma vaga de deputado estadual e perdeu a disputa por uma diferença de apenas 174 votos.

Veio a emancipação de Guapimirim e ele foi eleito prefeito. Isso aconteceu em 1992 e pode-se dizer que Nelson foi o primeiro a ser reeleito, mesmo a reeleição não existindo na época. É que no dia 31 de março de 1996 ele renunciou o mandato de prefeito e foi para Magé. Elegeu-se, tirando do poder uma família que desde 1982 governava o município. Nelson governou até 31 de dezembro de 2000 e dois anos depois elegeu-se deputado estadual. Ficou na Assembléia Legislativa até 2004, de onde saiu para voltar à Prefeitura de Guapimirim.

O primeiro “poste” eleito por Nelson foi seu irmão Renato, que também adotou o “do Posto” como sobrenome. Nelson mandou ele para a Assembléia Legislativa em 1994. O homem apresentou emendas orçamentárias que garantiram melhorias para muitas cidades, mas verdade seja dita: entrava mudo e saia calado do plenário. Os “milagres” de Nelson não pararam por ai: em 1998 ele elegeu mais um “poste”, o sobrinho Júnior do Posto e também mandou para a Alerj a sobrinha Renata em 2006.

Porém, a maior prova de que o homem é mesmo bom de voto aconteceu este ano. Sua candidatura a reeleição foi impugnada 48 horas antes do pleito e ele não perdeu tempo. Dentro do que a lei permite ele foi substituído pelo sobrinho Júnior que, graças ao peso do nome do tio, foi eleito com mais de 70% dos votos apurados.

Os eleitos pelo prestígio do homem podem até não gostar de ouvir a verdade, mas eles sem Nelson são nada. Não conseguiriam vencer eleição nem para presidente de associação de moradores.

Diga aí, leitor, o homem é ou não é bom de voto?




quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Contas de campanha podem derrubar Lindberg

Prefeito de Nova Iguaçu apresentou despesa sem receita e continuou arrecadando dinheiro mesmo depois da eleição.

O comitê financeiro de campanha do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias (PT), reeleito com 65% dos votos apurados, teria começado a arrecadar recursos antes mesmo de o candidato possuir registro de candidatura junto ao cartório eleitoral e continuou recolhendo doações durante quase um mês após as eleições. Além disso as contas apresentam despesas sem apontar receita, o que, segundo um especialista, poderia caracterizar o emprego do “Caixa 2”, expediente muito usado em campanhas para esconder o abuso de poder econômico durante as disputas por mandatos eletivos.

De acordo com os documentos da prestação contas apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) pela administração financeira da campanha, logo na primeira prestação de contas parcial - entregue do dia 6 de agosto - o candidato relatou um total de R$ 94.810,00 em despesas e nenhuma receita de doação para cobrir esses gastos.

Os documentos foram analisados por um especialista e este apontou várias irregularidades, como a doação de R$ 1.300,00 do Diretório Municipal do PT, quando Lindberg sequer tinha a entrada do registro de candidatura no cartório eleitoral, CNPJ da campanha e os recibos eleitorais (os chamados bônus). O especialista verificou que as despesas apresentadas pelo comitê financeiro da campanha na primeira prestação de contas parcial, saltaram, na prestação de contas final, para R$ 148.153,50, mesmo sem registro receita de doação.

Sem extratos

Ao analisar as contas do candidato Luiz Lindberg Farias Filho o especialista verificou ainda que não foram anexados os extratos bancários relativos ao período da abertura da conta até dia 7 de agosto; de 25 de agosto a 1º de setembro e no dia 4 de novembro o saldo estava zerado, mas o encerramento da conta bancária não foi anexado. Segundo o especialista, o cartório eleitoral não conseguiu conferir os recibos eleitorais, porque o comitê financeiro da campanha não teria prestado contas nem comunicado quando recebeu os recibos de bônus.

O especialista apontou ainda que em nenhum momento aparece o recibo eleitoral de uma doação no valor de R$ 60 mil, feita no dia 30 de setembro e atribuída na prestação de contas ao escritório Siqueira Castro Advogados. A prestação de contas apresenta ainda uma dívida de R$ 26.166,66 por ausência de recursos, o que não foi justificado.

Comitê arrecadou mais de R$ 1 milhão depois da eleição

Com 80 páginas as contas da campanha do prefeito Lindberg Farias foi entregue ao Tribunal Regional Eleitoral no dia 4 de novembro, tendo recebido o número de controle 2682224677 e de acordo com o especialista que as analisou poderão ser reprovadas pela Justiça Eleitoral, por causa dos itens por ele apontados como irregulares.

De acordo com os documentos apresentados pelo comitê financeiro da campanha, de 5 de julho a 5 de outubro foram arrecadados R$ 1.027.475,00 e muito depois do fim das eleições o comitê arrecadou mais R$ 1.385.950,00 em nada menos do que 32 doações feitas entre os dias 6 de outubro e 3 de novembro. No dia 3 de novembro, por exemplo, véspera da entrega das contas no TRE, a campanha de Lindberg recebeu R$ 70 mil através de transferências eletrônicas, sendo R$ 20 mil do Posto Cotiara, R$ 15 mil da Agenservice Empreendimentos e Participações e R$ 35 mil da empresa Onorata Administração e Participação.

Ainda de acordo com os documentos, no dia 31 de outubro o comitê arrecadou cerca de R$ 600 mil em 14 doações, entre as quais uma de R$ 395 mil feita pela empresa Belnorte Produtos de Limpeza. No dia 30 de outubro o comitê financeiro de Lindberg arrecadou R$ 350 mil em três doações feitas por transferência eletrônica pelas empresas Hargus Comercial (R$ 80 mil), Banco BVA (R$ 200 mil) e WM Empreendimentos Imobiliários (R$ 70 mil).

Ainda segundo os documentos, outro dia bom de arrecadação para o comitê foi 29 de outubro, quando foram efetuadas duas transferências eletrônicas, uma de R$ 170 mil feita pela Hargus Comercial e uma de R$ 199.500,00 feita pela empresa York Engenharia.

A prestação de contas aponta também que as empresas Luxor Construções (R$ 50 mil), Omega Engenharia (R$ 86 mil em quatro doações), Construtora Apia (R$ 100 mil, Hatha Comercial (R$ 75 mil), Ancar (R$ 75 mil) e Cadtel (R$ 80 mil) também foram grandes colaboradores. Os documentos revelam também que o diretório estadual do PT fez duas doações em setembro: uma de R$ 295.985,00 no dia 16 e R$ 30 mil no dia 30, as duas através de transferências eletrônicas.

Empresa fez quatro depósitos no mesmo dia

Ao todo, revela a prestação final das contas apresentada pelo comitê financeiro, a campanha de Lindberg Farias conseguiu 133 doações, um total de R$ 2.413,425,00, sendo R$ 1.027.475,00 antes da eleição e R$ 1.385.950,00 a partir do dia 6 de outubro. Desse total de doações 62 foram feitas em dinheiro, 36 em cheques e 22 por transferências eletrônicas. Nas contas aparecem ainda 13 doações nominadas como “estimado”.

Ao analisar as contas o especialista encontrou o que chama de “discrepância” em relação à colaboração da empresa Construtora Triângulo, que, no dia 11 de agosto doou R$ 30 mil, fazendo a doação através de quatro depósitos em dinheiro, três de R$ 9 mil e um de R$ 3 mil, o que é comprovado pelos recibos eleitorais RJ-13.018.050326, RJ-13.018.050327, RJ-13.018.050328 e RJ-13.018.050329. Esses recibos só foram entregues no cartório da 82ª Zona Eleitoral no dia 14 de novembro, dez dias após ter sido protocolada a prestação final de contas.

Ao entregar os recibos o administrador da campanha, Cláudio Jorge da Silva, entregou também uma declaração retificatória com o seguinte texto: “Declaro para fazer prova junto ao cartório da 82ª Zona Eleitoral do Município de Nova Iguaçu referente ao processo de prestação de contas Nº 203/08 que os recibos eleitorais Nº 13.018.050326, 13.018.050327, 13.018.050328 e 13.018.050329 que deveriam conter a assinatura do doador foram extraviados, porém o requerente efetua em anexo a juntada das cópias dos mesmos recibos eleitorais que estavam de posse do doador”.




segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

“Pode vir quente que eu estou fervendo...”

Acabo de ser alertado por um amigo de que gente importante em Porto Real não gostou do artigo "Um negócio suspeito em Porto Real" e teria dito que vai haver reação e que é para eu esperar o troco. Estou morrendo de medo... Nem vou dormir mais por causa disso e sequer botarei a cara na janela.

O que essa gente está pensando da vida? O que eles têm de fazer é me agradecer pelo alerta e tratar de reparar o erro que por ventura existir. O que fiz foi revelar um fato a mim narrado pelo dono de uma empresa que se sentiu prejudicado. É um fato de interesse público, pois envolve dinheiro do povo. Quem estiver errado que se entenda com a Justiça, inclusive eu.

O que revelei foi que no dia 15 de julho de 2005 o prefeito Jorge Serfiotis assinou ordem de serviço autorizando a empresa Pinlasa Fabricação de Artefatos de Solo e Cimento, Construção e Reforma de Prédio Ltda., iniciar a construção de um centro de lazer no bairro Jardim Real e que o dono da empresa - o engenheiro Paulo Sérgio Teixeira Pinto – disse que fez 70% do serviço contratado e não consegue receber e entende ter sido vítima de uma manobra.

O dono da empresa conta que teve o contrato rescindido pelo prefeito depois que revogou uma procuração dada a Paulo Fernando de Menezes Aguiar. Paulo Pinto afirma que o contrato foi rescindido no dia 31 de janeiro de 2007 sem a assinatura dele e que a Prefeitura ainda lhe deve R$ 129.584 96.

O dono da Pinlasa disse também o valor total do contrato 071/2005 é de R$ 400.016,45 e que recebeu cinco parcelas: R$ 38.868,45, R$ 25.134,11, R$ 10.657,27, R$ 44.158,65 e R$ 22.289,48 e que depois disso, por não ter tido condições de cumprir um acordo verbal que teria sido firmado, recebeu orientação para passar uma procuração autorizando Paulo Fernando de Menezes Aguiar a representá-lo na Prefeitura. Paulo Pinto disse que não viu um centavo dos valores recebidos através da procuração e que por isso revogou o documento que autorizava outro a receber.