segunda-feira, 20 de agosto de 2012

“Corações sujos” – uma reflexão de domingo


O termo fundamentalismo significa a aderência a qualquer credo e é empregado de forma pejorativa para referirem-se aqueles que se colocam cegos e surdos para a verdade em defesa da farsa em que acreditam. Um fundamentalista crê no que ouviu falar como se verdade absoluta fosse, mas tem um fundamentalista ainda pior: é aquele que passa o tempo todo dentro da realidade e a ignora, porque lhe disseram o que ele toca naquele momento não existe. O fundamentalista é sempre hostil. Agride ao que lhe quer abrir olhos. Grita, sapateia, joga pedras e faz coisas ainda piores para impor sua verdade, por mais absurda que essa seja, uma vez que não tem argumento para contra-atacar. O que isso tem a ver com o que lhes convido a analisar nesse momento? Muita coisa...
Baseado no livro de Fernando Moraes, o filme Corações Sujos, de Vicente Amorim, nos mostra muito bem o efeito trágico de uma ação fundamentalista. Alienados diante da derrota do Japão na segunda guerra mundial, um grupo de imigrantes japoneses que viviam no Brasil acreditava que o imperador Hirohito era invencível e jamais se rendiria diante da força americana. Cegos por essa crença, encheram-se de ódio e saíram chacinando os que - conhecedores da verdade - não admitiam a mentira da invencibilidade do Japão. Dezenas de imigrantes realistas foram massacrados pelos fundamentalistas, os kachi gumi (os “vitoristas”), membros de uma associação chamada Shindo Renmei, que se achava no direito de matar os make gumi, imigrantes que aceitavam a verdade: a derrota do Japão.
Em pleno século 21 Magé está cheio de fundamentalistas. São os seguidores dos derrotados pela verdade, pela força de um povo cansado do subjugo de uma família opressora. O império dos Cozzolinos ruiu. Acabou, mas Núbia, Jane e Dinho ainda mantém seus “kachi gumi”, agora serviço de um escolhido para lhes assegurar, por via indireta, o poder. O fundamentalismo específico de Magé tem causado estragos enormes. Esses “kachi gumi” saem por ai usando como espadas uma língua afiada pela mentira. Esses não tem noção de nada. São robôs. Não pensam. São programados para matar a verdade com suas mentiras.
O que quero dizer aqui, meus amigos, é que é bom para os “kachi gumi” não é péssimo para os “make gumi”. Aquilo que agrada aos Cozzolinos é desastroso para Magé. Que tal pensar um pouco sobre isso?
Tenham todos um bom domingo e até amanhã. Voltaremos a nos encontrar nessa segunda-feira às oito em ponto. Abraços a todos e fiquem com Deus.

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